Apesar da trégua, Israel intensifica ataques no Líbano
Ao menos 13 pessoas morreram em novos ataques israelenses no sul do Líbano, segundo um balanço atualizado do Ministério da Saúde
Ao menos 13 pessoas morreram em novos ataques israelenses no sul do Líbano, segundo um balanço atualizado do Ministério da Saúde libanês. As ofensivas ocorreram apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril de 2026.
Os bombardeios atingiram diferentes localidades do sul do país e reacenderam as acusações de violação da trégua entre Israel e Hezbollah, em meio à guerra mais ampla no Oriente Médio.
A vila de Haboush foi um dos pontos mais atingidos. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, oito pessoas morreram no local, incluindo uma criança e duas mulheres. Outras 21 ficaram feridas.
Mesmo com a trégua formalmente ativa, o sul do Líbano continua sendo tratado como zona de guerra.
Haboush foi atacada após ordem de evacuação
De acordo com a agência nacional de notícias do Líbano, a NNA, os ataques ocorreram menos de uma hora depois de o Exército israelense emitir um alerta de evacuação para a vila.
A agência descreveu uma “enxurrada de ataques” contra a região. Em Haboush, um fotógrafo da AFP relatou colunas de fumaça subindo após os bombardeios.
O episódio reforça a tensão em torno das ordens de evacuação emitidas por Israel, especialmente quando elas são seguidas rapidamente por ataques aéreos em áreas habitadas.
Ataques também atingiram Zrariya e Tiro
Outro ataque israelense atingiu a comunidade de Zrariya, próxima a Sidon. Segundo o Ministério da Saúde libanês, quatro pessoas morreram, entre elas duas mulheres, e outras quatro ficaram feridas.
Também foi registrada a morte de uma mulher na região de Tiro, onde outras sete pessoas ficaram feridas. A imprensa estatal libanesa relatou ainda ataques aéreos e fogo de artilharia contra outras áreas do sul do país.
A sucessão de bombardeios mostra que, na prática, a linha entre cessar-fogo e continuidade das operações militares permanece cada vez mais frágil.
Trégua não interrompeu a violência
O cessar-fogo entre Israel e Hezbollah está em vigor desde 17 de abril, mas não foi suficiente para encerrar os confrontos no sul do Líbano.
Israel acusa o Hezbollah de continuar operando na região e de representar ameaça à sua segurança. Do outro lado, autoridades libanesas denunciam ataques israelenses contra vilas, áreas civis e equipes de socorro.
O resultado é uma trégua sob pressão permanente, em que cada novo bombardeio aumenta o risco de uma retomada mais ampla das hostilidades.
A situação no sul do Líbano revela um cessar-fogo que existe no papel, mas que segue sendo testado no terreno.
Mais de 2.600 mortos desde março
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, as operações militares israelenses no país já deixaram mais de 2.600 mortos desde a retomada das hostilidades entre Israel e Hezbollah, em 2 de março de 2026.
Entre as vítimas estão civis, mulheres, crianças e socorristas. O ministério afirma que 103 profissionais de resgate morreram desde o início da atual fase do conflito.
A dimensão das perdas aumenta a pressão sobre o governo libanês e sobre mediadores internacionais que tentam impedir que o conflito se expanda novamente.
Sul do Líbano segue como frente aberta
A nova rodada de ataques mostra que o sul do Líbano continua sendo uma das frentes mais sensíveis da guerra regional.
Mesmo sem uma declaração formal de fim da trégua, os bombardeios, alertas de evacuação e relatos de vítimas civis indicam que a instabilidade permanece.
Na prática, o cessar-fogo reduziu parte da intensidade do conflito, mas ainda não trouxe segurança para as comunidades do sul libanês.
Fonte: NNA, AFP, AP, RTE e Al Arabiya.