Após meses de recordes, Rússia reduz ataques de drones e mísseis contra a Ucrânia

Por Cenas de Combate

Ataques russos com drones e mísseis de longo alcance contra a Ucrânia caíram em junho, aponta a AFP, enquanto Kiev intensifica suas ofensivas na Rússia.

Após meses de recordes, Rússia reduz ataques de drones e mísseis contra a Ucrânia

A intensidade dos bombardeios russos contra a Ucrânia recuou de forma expressiva em junho. Segundo uma análise da agência AFP baseada em dados diários da força aérea ucraniana, o número de drones de longo alcance e mísseis disparados por Moscou caiu bastante em relação a maio — justamente quando Kiev intensifica seus próprios ataques em solo russo.

A queda, porém, não significa trégua. Mesmo com menos ataques, os bombardeios de junho deixaram dezenas de mortos e atingiram até um patrimônio da UNESCO.

Uma queda expressiva nos números

De acordo com os dados divulgados diariamente por Kiev, a Rússia lançou 5.749 drones de longo alcance e 180 mísseis contra alvos ucranianos fora da zona de combate direto em junho. Os valores representam quedas de 29% e 15%, respectivamente, na comparação com maio.

O recuo vem depois de vários meses de números recordes. Só em maio, segundo a mesma análise da AFP, Moscou havia disparado cerca de 8.150 drones de longo alcance — o maior volume desde o início da invasão em larga escala.

Ataques menos frequentes, mas ainda letais

A diminuição na frequência não reduziu o poder de destruição. Em 2 de junho, um ataque massivo com 656 drones e 73 mísseis matou 23 pessoas, sendo 16 em Dnipro, no centro-leste, e 7 em Kiev, onde cerca de 50 ficaram feridas. Foi o dia mais intenso do mês.

Em 15 de junho, novos bombardeios atingiram vários distritos da capital e mataram cinco pessoas. Entre os alvos danificados estava a Catedral da Assunção, uma igreja ortodoxa emblemática de Kiev classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO. Naquele dia, segundo a Força Aérea Ucraniana, a Rússia lançou 611 drones e 70 mísseis.

Kiev revida no território russo

Enquanto os ataques russos diminuíam, a Ucrânia fazia o movimento contrário. Nos últimos meses, Kiev ampliou suas ofensivas contra a Rússia e as áreas ocupadas, citando retaliação pelos bombardeios quase diários de Moscou desde fevereiro de 2022.

O alvo preferido é a infraestrutura energética. A estratégia busca conter o fluxo de hidrocarbonetos que financia a máquina de guerra do Kremlin. Em 18 de junho, um grande ataque ucraniano atingiu uma refinaria de Moscou, provocando explosões e um incêndio que deixou 17 feridos, segundo o governador local.

A pressão começa a pesar sobre Moscou

Os efeitos dessa campanha já são sentidos dentro da Rússia. No domingo (28), Vladimir Putin admitiu "algumas falhas" no abastecimento de combustível causadas pelos ataques, mas afirmou que a situação "não é crítica".

A realidade no terreno mostra tensão. Várias regiões russas impuseram restrições à venda de combustível para particulares, e a Crimeia, anexada por Moscou em 2014, chegou a ser colocada em "estado de emergência".

O que os números revelam

A queda dos ataques russos pode ter várias explicações — desde limitações logísticas até o desgaste provocado pelas próprias ofensivas ucranianas contra a produção de armas e combustível. O que os dados sugerem é uma guerra que muda de forma, mas não de intensidade.

Em vez de um único lado dominando os céus, o conflito caminha para um duelo de longo alcance, em que cada país tenta esgotar a capacidade do outro de sustentar a guerra. E, por ora, nada indica que essa lógica de desgaste esteja perto do fim.

Fontes: AFP, Força Aérea Ucraniana, CBS News, ABC News e Al Jazeera.

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