Coreia do Norte lança míssil e chama Japão de "estado belicoso"

Por Cenas de Combate

Coreia do Norte lança míssil balístico e chama o Japão de "estado belicoso" após Tóquio testar um Tomahawk. Kim Yo Jong ameaça novas opções militares.

Coreia do Norte lança míssil e chama Japão de "estado belicoso"

A Coreia do Norte disparou um novo míssil em direção ao mar a leste da Península Coreana, elevando a temperatura em uma das regiões mais tensas do mundo. O lançamento veio logo após Pyongyang acusar o Japão de se transformar em um "estado belicoso".

Segundo o exército sul-coreano, trata-se de um míssil balístico de curto alcance. O disparo é a resposta direta de Pyongyang ao rearmamento militar japonês no Pacífico.

O lançamento

De acordo com o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul, o projétil foi lançado em direção ao Mar do Leste (também chamado de Mar do Japão). O governo japonês confirmou tratar-se, provavelmente, de um míssil balístico.

A reação em Seul foi imediata. O gabinete de segurança nacional da presidência convocou uma reunião de emergência e classificou o lançamento como uma provocação que viola resoluções do Conselho de Segurança da ONU, exigindo sua interrupção. O disparo se soma a uma longa série de testes que Pyongyang vem realizando ao longo de 2026.

Um ano de testes intensos

O míssil de hoje não é um episódio isolado. Durante 2026, a Coreia do Norte registrou uma sucessão de testes voltados a aprimorar suas capacidades militares — de foguetes de artilharia a mísseis balísticos táticos.

Entre os testes confirmados pela agência estatal KCNA estão lançadores múltiplos de foguetes de grande calibre, mísseis com submunições (cluster) e obuseiros autopropulsados de 155mm. O ritmo dos testes reflete um esforço contínuo de modernização, frequentemente supervisionado pessoalmente pelo líder Kim Jong Un.

O estopim: o Tomahawk japonês

A escalada verbal tem um gatilho claro. Na véspera, a poderosa irmã de Kim Jong Un, Kim Yo Jong, publicou uma declaração furiosa contra Tóquio. O motivo foi o teste japonês de um míssil de cruzeiro Tomahawk, disparado do destróier Aegis Chokai no Oceano Pacífico.

Kim Yo Jong acusou o Japão de abandonar sua postura defensiva e transformar suas Forças de Autodefesa em uma tropa capaz de ataques preventivos e operações no exterior. Ela também citou a participação de Tóquio em um exercício militar liderado pelos EUA nas Filipinas, em maio, como prova dessa expansão.

"O Japão, um estado criminoso de guerra, está acelerando sua transformação em um estado de guerra. Nossa liderança vai estabelecer opções militares adicionais, obviamente em razão dessa transformação." — Kim Yo Jong

A acusação aos Estados Unidos

Kim Yo Jong não poupou Washington. Segundo ela, os Estados Unidos estão "por trás" dos movimentos militares japoneses, fornecendo os mísseis Tomahawk, modificando os navios de guerra para operá-los e apoiando os testes.

A acusação tem base concreta: o Japão planeja gastar cerca de US$ 694 milhões para instalar a capacidade de lançar Tomahawks em cinco de seus oito destróieres da classe Aegis. Para Pyongyang, ao adquirir poder de ataque de longo alcance, Tóquio coloca a Coreia do Norte e outros vizinhos ao alcance de suas armas.

O Japão se rearma

Do lado japonês, a lógica é de defesa. No prefácio do livro branco anual de defesa, divulgado nesta semana, o ministro da Defesa Shinjiro Koizumi foi enfático sobre a necessidade de reforço militar.

Segundo ele, é "imperativo que o Japão fortaleça ainda mais suas capacidades de defesa" diante das ameaças representadas por Coreia do Norte, Rússia e China. Tóquio insiste que suas preparações respondem a um ambiente de segurança cada vez mais difícil, e não a uma mudança rumo a uma política militar ofensiva.

O fim de uma era pacifista

O episódio ilustra uma transformação histórica em curso. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão manteve uma Constituição pacifista que limitava severamente suas forças armadas. Nos últimos anos, porém, o país vem se distanciando desse modelo — aumentando gastos militares, firmando pactos de defesa e instalando lançadores de mísseis em suas ilhas.

Essa mudança, motivada pela ascensão da China e pela imprevisibilidade norte-coreana, altera o equilíbrio de forças no Nordeste Asiático. Para Pyongyang, um Japão rearmado é uma ameaça existencial; para Tóquio, é uma necessidade de sobrevivência.

Uma espiral perigosa

O que se vê é uma clássica espiral de segurança: cada movimento defensivo de um lado é lido como ameaça pelo outro, gerando novas rodadas de rearmamento e provocação. O teste do Tomahawk levou ao míssil norte-coreano, que tende a justificar mais gastos japoneses, e assim por diante.

Sem canais de diálogo efetivos entre as partes, o risco é que essa escalada de gestos militares — testes, exercícios e declarações inflamadas — ganhe vida própria. E, numa região onde convivem três potências nucleares e alianças militares rivais, cada novo míssil lançado ao mar carrega um peso que vai muito além de seu alcance.

Fontes: UPI, Euronews, NBC News, Reuters, WION e agência KCNA.

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