Há 82 anos, no norte da França, ocorreu uma das operações mais importantes da Segunda Guerra Mundial. Como parte da Operação Overlord, os desembarques aliados na Normandia receberam o nome de Operação Netuno.
Foi a maior invasão marítima da história e marcou o início da abertura da Frente Ocidental contra a Alemanha nazista. Os Aliados sabiam que tinham apenas uma chance: um fracasso poderia transformar a operação em um novo Dunquerque.
Antes do desembarque, a Operação Guarda-Costas enganou o alto comando alemão sobre o local real da invasão. A manobra atrasou reforços inimigos e ajudou a criar as condições para o sucesso do Dia D.
O Dia D não foi apenas um desembarque: foi uma operação gigantesca de logística, engano, poder naval, apoio aéreo e coragem em condições extremas.

Reunião da Força Expedicionária Aliada da Sede Suprema, em Londres, em 1º de fevereiro de 1944.
A preparação para a invasão
Enquanto as forças americanas avançavam na Itália após a captura de Roma, a União Soviética preparava a Operação Bagration no leste. A invasão da Normandia seria a terceira grande pressão simultânea contra a Alemanha.
A data inicial da invasão era 5 de junho de 1944, mas o mau tempo forçou o adiamento por um dia. Em 6 de junho, apesar das condições ainda difíceis, a operação foi autorizada.
Somente naquele dia, mais de 10 mil toneladas de bombas foram lançadas sobre a Normandia. No mar, mais de 7 mil navios compunham a maior frota de invasão já reunida.
Mais de 132 mil soldados desembarcaram nas praias em várias ondas, enquanto mais de 20 mil paraquedistas foram lançados atrás das linhas alemãs para capturar pontes, cruzamentos e objetivos estratégicos.

Mapa da área de invasão mostrando canais limpos de minas, bombardeios navais e alvos em terra.
Cinco praias, cinco batalhas diferentes
As zonas de desembarque foram divididas em cinco praias. Os britânicos ficaram com Sword e Gold. Os canadenses desembarcaram em Juno. Já os americanos ficaram responsáveis por Omaha e Utah.
No primeiro dia, as perdas aliadas e alemãs foram estimadas em mais de 10 mil homens. Até o fim de junho, quase um milhão de soldados aliados já haviam desembarcado na França.
Sword: o caminho britânico até Caen
A praia de Sword ficou sob responsabilidade das tropas britânicas. O objetivo era tomar uma faixa de cerca de 8 km de largura e avançar em direção a Caen, cidade estratégica para o controle da região.
Às 07h25, a primeira onda chegou à costa, apoiada por veículos blindados especializados, conhecidos como “Funnies de Hobart”. Inicialmente, a resistência alemã foi relativamente fraca, e engenheiros britânicos abriram várias saídas da praia.
O avanço, porém, perdeu força diante de contra-ataques blindados alemães. Ao fim do dia, os britânicos estavam em terra, mas ainda a cerca de 6 km do objetivo principal. As baixas chegaram a quase 700 homens.

Tropas britânicas em Sword Beach, em 6 de junho de 1944.

Tropas da 3ª Divisão, algumas com bicicletas, avançam para o interior de Sword Beach.

Royal Marine Commandos deslocam-se para o interior após o desembarque em Sword Beach.
Juno: a praia canadense sob fogo intenso
Às 07h35, os canadenses avançaram sobre Juno Beach. Logo nos primeiros minutos, enfrentaram forte resistência de posições alemãs bem fortificadas, protegidas por artilharia, obstáculos, arame farpado e minas.
Apesar das perdas iniciais, os canadenses conseguiram romper a defesa alemã e assegurar a praia em poucas horas. Ao fim do dia, cerca de 21 mil soldados haviam desembarcado, com 340 mortos, quase 600 feridos e 49 prisioneiros.
No Dia D, os canadenses avançaram mais para o interior do que qualquer outra força desembarcada nas praias da Normandia.

Tropas canadenses a caminho de Juno Beach.

Soldados canadenses desembarcando perto de Bernières-sur-Mer.

Reforços canadenses chegando à zona de Juno.
Gold: o avanço britânico pela praia central
A praia central, Gold, ficou sob responsabilidade britânica. A Hora H estava marcada para 07h25, e o objetivo principal era capturar Bayeux e garantir a estrada em direção a Caen.
Ventos fortes, mar agitado e terreno difícil atrasaram parte do desembarque. Marés adiantadas deixaram algumas minas sem neutralização, danificando veículos e causando perdas.
Ainda assim, ao fim do dia, cerca de 25 mil soldados britânicos haviam desembarcado em Gold, junto com 2.100 veículos e mais de mil toneladas de suprimentos.

50ª Divisão de Infantaria do Exército Britânico em ação.

Junção das praias King Red e King Green vista de cima.

Um tanque Sherman do Esquadrão “A” avança em Gold Beach.

O USS LST-21, tripulado pela Guarda Costeira dos EUA, durante o desembarque.

Ponto forte alemão WN-35 em Le Pont Chaussé, capturado com apoio de tanques AVRE.
Omaha: a praia mais sangrenta do Dia D
Omaha foi uma das duas praias designadas às forças americanas e acabou se tornando a zona de desembarque mais sangrenta do Dia D.
Por volta das 05h30, os primeiros LCVPs avançaram em direção à costa com milhares de soldados. O problema é que grande parte das posições alemãs não havia sido destruída pelos bombardeios prévios, deixando os defensores em condições de abrir fogo quase imediatamente.
Dos 32 tanques DD Sherman destinados a Omaha, apenas quatro conseguiram chegar à praia. Ventos fortes, ondas altas e correntes deslocaram unidades inteiras, causando confusão logo nos primeiros minutos da operação.
Os americanos ficaram presos sob fogo cruzado de metralhadoras, artilharia e canhões alemães. Muitos avançaram lentamente pela areia carregando equipamentos pesados, encharcados pela água do mar e sob fogo constante.
A situação em Omaha foi tão grave que a possibilidade de abortar parte da operação chegou a ser considerada.
Após cerca de dez horas de combate intenso, a cabeça de praia foi finalmente conquistada. Das aproximadamente 43 mil tropas desembarcadas, cerca de 3 mil foram mortas, feridas ou consideradas desaparecidas.

Tropas em uma LCVP aproximando-se de Omaha na manhã do Dia D.

Tropas dos EUA agachadas dentro de uma LCVP pouco antes do desembarque em Omaha.

Veículos destruídos em Omaha, em 6 de junho de 1944.

Tropas do 3º Batalhão, 16º RCT, abrigadas sob os penhascos de giz em Fox Red.
Utah: o desembarque americano mais bem-sucedido
A praia de Utah, mais a oeste, também ficou sob responsabilidade das forças americanas. Diferente de Omaha, o bombardeio naval e aéreo foi muito mais eficaz, reduzindo de forma significativa a capacidade de resistência alemã.
Os desembarques começaram pontualmente às 06h30, seguidos por 28 tanques DD. Por volta das 09h00, as tropas já se deslocavam para o interior, e ao meio-dia os principais pontos fortes inimigos haviam sido neutralizados.
A 4ª Divisão de Infantaria não alcançou todos os objetivos planejados no primeiro dia, em parte porque desembarcou mais ao sul do que o previsto. Ainda assim, conseguiu colocar mais de 21 mil soldados em terra com apenas 197 baixas.
O passo seguinte era estabelecer contato com a 101ª Divisão Aerotransportada, lançada atrás das linhas alemãs antes do amanhecer. As tropas aerotransportadas sofreram pesadas perdas, mas ajudaram a abrir caminho para o avanço no interior.
Ao fim do dia, a força desembarcada em Utah havia avançado cerca de 10 km para o interior, enquanto a 82ª Aerotransportada conquistava encruzilhadas estratégicas em Sainte-Mère-Église.
Utah mostrou o contraste dentro da própria invasão: enquanto Omaha quase fracassou, Utah se consolidou como um dos desembarques mais eficientes do Dia D.

Tropas americanas desembarcando em Utah Beach, em 6 de junho de 1944.

Soldados dos EUA avançam sob fogo inimigo em Utah.

Reforços americanos chegam a Utah minutos após as primeiras ondas.

Membros de um grupo de desembarque americano prestam auxílio a colegas após o afundamento de uma embarcação.

Prisioneiros de guerra alemães em um recinto cercado em Utah Beach.
O início da libertação da Europa Ocidental
Ao fim de 6 de junho de 1944, os Aliados ainda não haviam alcançado todos os objetivos planejados. Caen continuava fora de alcance, Omaha havia sido conquistada a um custo terrível e várias ligações entre as cabeças de praia ainda precisavam ser consolidadas.
Mesmo assim, o essencial havia sido alcançado: os Aliados tinham colocado uma força maciça em solo francês e criado a base para expandir a ofensiva contra a Alemanha nazista.
A partir daquele ponto, a Operação Overlord entraria em nova fase. Nas semanas seguintes, quase um milhão de soldados desembarcariam na Normandia, transformando a cabeça de praia em uma frente de combate decisiva.
O Dia D não encerrou a guerra, mas abriu o caminho para a libertação da França e para o avanço aliado rumo ao coração do Terceiro Reich.
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Fonte: registros históricos da Operação Overlord, arquivos aliados da Segunda Guerra Mundial e materiais de referência sobre o Dia D.