Drones ucranianos atingem 1.559 alvos russos em apenas 24 horas

Por Cenas de Combate

Drones ucranianos atingiram 1.559 alvos russos e 15 navios em 24 horas, segundo Kiev. Campanha marítima avança do Mar de Azov para o Mar Negro.

Drones ucranianos atingem 1.559 alvos russos em apenas 24 horas

As Forças de Sistemas Não Tripulados (SBS) da Ucrânia divulgaram um balanço impressionante de sua atividade recente. Em apenas 24 horas, operadores de drones ucranianos teriam atingido ou destruído 1.559 alvos russos distintos, incluindo 15 embarcações — um retrato da guerra movida a drones que redefine o conflito.

Os números foram informados pelo comandante Robert "Madyar" Brovdi em 14 de julho.

Um balanço de 24 horas

Segundo Brovdi, em sua atualização diária no Telegram, além dos 1.559 alvos, os drones ucranianos mataram ou feriram 311 soldados russos no período. O comandante detalhou uma lista extensa de alvos terrestres atingidos.

Entre eles estavam 39 locais de lançamento de drones russos, nove peças de artilharia, centenas de abrigos e trincheiras, oito sistemas robóticos terrestres, 18 equipamentos de guerra eletrônica, três estações de radar e 98 antenas de comunicação. A variedade dos alvos mostra o alcance da operação, que vai da linha de frente à retaguarda logística.

Os números de julho

O desempenho de um único dia se soma a um balanço mensal ainda maior. De acordo com o comandante, desde o início de julho as Forças de Sistemas Não Tripulados já haviam matado ou ferido 4.492 militares russos e atingido um total de 21.319 alvos.

Esses valores refletem uma mudança estrutural na forma como a Ucrânia trava a guerra: com o uso massivo de drones baratos como contrapeso à superioridade numérica e de artilharia da Rússia. É uma aposta na tecnologia e na escala para compensar a desvantagem de recursos.

A caçada no Mar de Azov

O capítulo mais notável dessa ofensiva foi naval. O anúncio das 15 embarcações veio logo após uma campanha de uma semana no Mar de Azov, apelidada de operação "MoLoChKa" ("laticínio", no jargão irônico da unidade).

Entre 6 e 12 de julho, Brovdi afirmou que as forças ucranianas atingiram 90 navios russos, incluindo 10 petroleiros e quatro balsas em uma única operação noturna. O ritmo foi assustador: em média, um petroleiro, rebocador, balsa ou cargueiro atingido a cada 112 minutos. Ao fim da fase, o total chegou a 116 embarcações em nove dias.

O alvo: a "frota-sombra"

O foco desses ataques não é aleatório. Os drones miram principalmente petroleiros de pequeno e médio porte, com até 140 metros — peças-chave da chamada "frota-sombra" russa, usada para escoar petróleo driblando as sanções ocidentais.

A campanha faz parte da estratégia mais ampla de Deep Strike da Ucrânia, que ataca a infraestrutura militar e logística russa em profundidade. E os efeitos aparecem nos números: segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, o número de navios russos no Mar de Azov teria caído 55% entre 30 de junho e 11 de julho — de 267 para cerca de 120.

Nova fase: o Mar Negro

Encerrada a ofensiva em Azov, a Ucrânia anunciou a expansão da campanha. Em 15 de julho — data em que o país celebra o Dia da Condição de Estado —, Brovdi declarou aberta uma nova frente no Mar Negro, atingindo outras 20 embarcações russas, entre elas 17 petroleiros e dois navios de gás.

"A primeira rodada da batalha marítima acabou. Agora é o Mar Negro", escreveu o comandante, dando um tom simbólico à mudança de teatro de operações.

Uma guerra de atrito econômico

Por trás das cifras militares há uma lógica econômica clara. Ao atacar petroleiros e refinarias, a Ucrânia busca sufocar a principal fonte de receita que financia o esforço de guerra russo. Segundo o comando ucraniano, as Forças de Defesa atingiram 697 alvos dentro da Rússia no primeiro semestre de 2026, causando prejuízos estimados em mais de US$ 6,1 bilhões.

Mesmo considerando que os números partem de Kiev e devem ser lidos com cautela, a tendência é evidente. A guerra de drones deixou de ser tática e se tornou estratégica — e, no mar, começa a redesenhar o equilíbrio de forças do conflito.

Fontes: United24 Media, Kyiv Post, Kyiv Independent e Instituto para o Estudo da Guerra.

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