Drones ucranianos atingem refinaria em Moscou

Por Cenas de Combate

Drones ucranianos atingem refinaria em Moscou pela segunda vez na semana, ampliando a pressão sobre a infraestrutura energética russa.

Drones ucranianos atingem refinaria em Moscou

A guerra voltou a atingir o coração da Rússia. Drones ucranianos atacaram uma refinaria na região de Moscou durante a madrugada, ampliando a pressão sobre a infraestrutura energética russa em uma fase de escalada entre os dois países.

O ataque atingiu a refinaria de petróleo de Moscou, operada pela Gazprom Neft, no distrito de Kapotnya, no sudeste da capital russa. Segundo fontes da indústria citadas pela Reuters, a instalação sofreu danos importantes e registrou incêndios após a ofensiva.

O episódio mostra que a Ucrânia está tentando levar a guerra para a retaguarda russa, atingindo estruturas com peso econômico, logístico e simbólico cada vez mais próximas dos centros de poder de Moscou.

Refinaria de Moscou volta a ser atingida

O ataque desta semana foi o segundo contra a refinaria de Moscou em poucos dias. Segundo a Reuters, a ofensiva mais recente danificou a unidade Euro+, um dos principais componentes da planta, além de afetar áreas de processamento, tubulações, sistemas auxiliares e tanques de produtos derivados de petróleo.

A refinaria é uma instalação estratégica para o abastecimento da capital russa. De acordo com dados citados pela Reuters, a planta processava cerca de 230 mil barris de petróleo por dia em 2024, produzindo gasolina, diesel e betume.

A localização do alvo também chamou atenção. A refinaria fica a cerca de 16 quilômetros do Kremlin, o que aumenta o impacto psicológico da operação e expõe as dificuldades da defesa aérea russa em proteger áreas sensíveis próximas à capital.

Ucrânia amplia campanha contra energia russa

A ofensiva faz parte de uma campanha ucraniana mais ampla contra a infraestrutura energética da Rússia. Nos últimos meses, Kiev intensificou ataques contra refinarias, depósitos de combustível, oleodutos, instalações logísticas e estruturas ligadas ao abastecimento militar russo.

A lógica ucraniana é atingir a base material que sustenta a guerra. Refinarias não são apenas alvos econômicos. Elas fornecem combustível para veículos, blindados, aeronaves, logística militar e transporte interno.

Ao atacar esse tipo de instalação, Kiev tenta forçar Moscou a dividir recursos entre a linha de frente e a proteção da própria retaguarda. Isso aumenta o custo da guerra e pode afetar a capacidade russa de manter operações prolongadas.

Resposta aos bombardeios russos

O ataque ocorreu após uma nova onda de bombardeios russos contra a Ucrânia. Kiev foi atingida por drones e mísseis, e um mosteiro histórico também sofreu danos, reforçando a percepção ucraniana de que Moscou continua mirando áreas urbanas, infraestrutura e símbolos culturais.

Zelensky apresentou os ataques contra alvos russos como resposta às ofensivas de Moscou. Em publicação nas redes sociais, o presidente ucraniano afirmou que o alcance de longo curso da Ucrânia havia sido sentido na região de Moscou.

“Esta é uma resposta justa aos ataques russos e ao prolongamento de uma guerra que precisa acabar”, afirmou Zelensky.

A fala deixa clara a mensagem política de Kiev: se a Rússia continuar atacando cidades e infraestrutura ucranianas, a Ucrânia tentará levar a guerra para instalações estratégicas dentro do território russo.

Energia virou campo de batalha

A disputa entre Rússia e Ucrânia deixou de ser apenas territorial. A energia se tornou uma frente central da guerra. Moscou ataca redes elétricas, usinas, sistemas de aquecimento e infraestrutura civil ucraniana. Kiev responde mirando refinarias, depósitos e instalações que alimentam a máquina econômica e militar russa.

Essa dinâmica transforma a guerra em uma disputa de resistência industrial. Cada lado tenta enfraquecer a capacidade do outro de sustentar o conflito por meses ou anos.

O objetivo não é apenas destruir uma instalação. É obrigar o adversário a gastar mais, proteger mais, produzir menos e sentir os efeitos da guerra longe da linha de frente.

Impacto dentro da Rússia

Os ataques contra refinarias russas já provocam efeitos internos. Segundo a Reuters, a ofensiva ucraniana contra o setor de refino tem contribuído para interrupções parciais de produção, pressão sobre combustíveis e maior preocupação com o abastecimento doméstico.

Além do impacto econômico, há o efeito psicológico. Quando explosões e incêndios atingem áreas próximas de Moscou, a guerra deixa de parecer distante para a população russa e passa a tocar regiões centrais do país.

Esse é um ponto sensível para o Kremlin. Durante boa parte do conflito, Moscou tentou manter a guerra longe da rotina cotidiana dos grandes centros russos. Ataques de drones contra refinarias e aeroportos próximos da capital desafiam essa narrativa.

Defesa aérea russa sob pressão

A ofensiva também expõe um desafio militar para a Rússia: proteger um território enorme contra ataques de drones de longo alcance. Mesmo com sistemas de defesa aérea, radares e guerra eletrônica, impedir todos os ataques é uma tarefa difícil.

Segundo autoridades russas, dezenas de drones foram interceptados durante a ofensiva. Ainda assim, alguns conseguiram atingir alvos importantes, incluindo a refinaria de Moscou.

Esse padrão mostra que, mesmo quando a maioria dos drones é derrubada, poucos impactos bem-sucedidos podem causar danos significativos. Para Kiev, essa é uma forma de compensar sua inferioridade em aviação e mísseis de longo alcance.

Guerra de desgaste entra em nova fase

A campanha ucraniana contra refinarias busca aumentar o desgaste russo sem depender apenas de avanços terrestres. Em uma guerra marcada por frentes lentas, trincheiras, drones e artilharia, atingir a retaguarda pode ser uma forma de alterar o custo estratégico do conflito.

Para Moscou, a resposta pode vir em novas ondas de bombardeios contra cidades e infraestrutura ucraniana. Isso cria um ciclo perigoso: ataques russos contra a Ucrânia geram respostas ucranianas contra a Rússia, que por sua vez podem provocar novas retaliações.

Esse ciclo aumenta o risco de escalada e torna mais difícil separar o campo militar do campo econômico. Refinarias, redes elétricas, depósitos e centros logísticos passam a ser vistos como partes diretas da guerra.

Moscou ainda consegue manter a guerra longe?

A pergunta central é se a Rússia ainda consegue sustentar o conflito mantendo seus principais centros de poder protegidos dos efeitos diretos da guerra. Os ataques contra a refinaria de Moscou sugerem que essa separação está ficando mais difícil.

Mesmo que os danos não paralisem a economia russa, eles obrigam o Kremlin a lidar com custos adicionais de segurança, reparo, defesa aérea e comunicação pública. Cada ataque bem-sucedido reforça a percepção de que a guerra pode alcançar áreas antes consideradas relativamente seguras.

Para a Ucrânia, esse é justamente o objetivo estratégico: mostrar que a Rússia não pode bombardear cidades ucranianas sem também expor sua própria infraestrutura a riscos crescentes.

O ataque de drones contra a refinaria de Moscou marca mais uma etapa da guerra de desgaste entre Rússia e Ucrânia. Kiev tenta atingir a infraestrutura energética russa para reduzir a capacidade de Moscou de sustentar sua ofensiva e aumentar o custo político e econômico do conflito.

Para a Rússia, o desafio é proteger instalações estratégicas em um território vasto, enquanto mantém pressão sobre a Ucrânia na linha de frente. Para Kiev, a campanha mostra que drones de longo alcance podem transformar a retaguarda russa em parte ativa do campo de batalha.

Se a infraestrutura energética russa continuar virando alvo recorrente, Moscou terá cada vez mais dificuldade para manter a guerra distante dos próprios centros de poder.

Fonte: Reuters, Euronews, The Moscow Times, Ukrainska Pravda e autoridades ucranianas e russas.

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