EUA atacam 90 alvos no Irã e Trump declara acordo encerrado
EUA atingem 90 alvos militares no Irã e Trump declara acordo de paz encerrado. Teerã ameaça fechar o Estreito de Ormuz e a trégua fica em frangalhos.
A escalada entre Estados Unidos e Irã ganhou um capítulo ainda mais grave nesta quarta-feira (8). As forças do Comando Central americano (Centcom) atingiram cerca de 90 alvos militares ao longo da costa iraniana, numa segunda onda de ataques. Poucas horas antes, o presidente Donald Trump havia declarado que o acordo de paz com Teerã "acabou".
A ofensiva dá continuidade aos bombardeios da véspera e mergulha a região em sua crise mais séria desde o fim da guerra. O Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
A segunda onda de ataques
Segundo o comunicado do Centcom, a ação desta quarta buscou reduzir a capacidade iraniana de atacar navios comerciais em Ormuz. Entre os alvos destruídos ou danificados estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
O vice-governador de Khuzestan, Valiollah Hayati, afirmou à agência iraniana Irna que três pessoas morreram e várias ficaram feridas em um ataque na periferia de Ahvaz. A ofensiva veio na sequência dos bombardeios de terça-feira (7), que atingiram cerca de 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária. Segundo a mídia estatal, oito militares iranianos morreram nesses ataques em Bandar Abbas e Bushehr.
Trump: "o acordo acabou"
O tom mais duro veio do próprio Trump. Em coletiva em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, o presidente americano declarou encerrado o pacto assinado com Teerã em junho.
"Para mim, acho que o acordo acabou. Não quero mais lidar com eles. Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo. Até onde eu sei, acabou." — Donald Trump
Momentos depois, antes de uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Trump amenizou levemente o tom, dizendo não ter "certeza se o acordo vai se manter". Ainda assim, prometeu novos ataques: "Vamos atingi-los com força esta noite", declarou, ameaçando cortar energia elétrica e estações de tratamento de água. O presidente sugeriu até que os EUA poderiam "tomar a ilha de Kharg", principal terminal petrolífero do Irã.
Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz
A resposta iraniana foi imediata. Segundo a emissora Press TV, uma fonte de segurança anônima afirmou que Teerã fechará o Estreito de Ormuz caso os novos ataques prometidos por Trump se concretizem.
A mesma fonte disse que o país retaliará alvos "inimigos" numa proporção de pelo menos dois para um. A via marítima, por onde passa um quinto de todo o petróleo exportado no mundo, havia sido reaberta justamente com o acordo do mês passado — e agora volta a ser uma ameaça global.
Ataques atingem o Golfo
A Guarda Revolucionária assumiu ter atacado bases americanas em países vizinhos. Segundo a nota, a investida mirou as instalações de Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein. Durante a noite, sirenes foram acionadas nos dois países, e os sistemas de defesa aérea entraram em ação.
A força iraniana ainda ameaçou expandir os ataques para outras bases americanas na região caso os bombardeios continuem. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou os ataques ao Bahrein e ao Kuwait como "inaceitáveis" e pediu contenção aos dois lados.
O custo humano no mar
Enquanto os governos trocam ameaças, quem paga o preço são os civis. A Organização Marítima Internacional alertou que cerca de 6 mil marinheiros seguem presos ao redor do Estreito de Ormuz, impedidos de deixar a região com segurança.
"Esses ataques imprudentes colocaram novamente marinheiros inocentes em grave perigo. Nenhum deles deveria arriscar a vida apenas por fazer seu trabalho", afirmou Arsenio Dominguez, secretário-geral da entidade.
Uma trégua em frangalhos
O memorando de entendimento, assinado em 17 de junho, previa um cessar-fogo de 60 dias para dar tempo a negociações técnicas. A menos de seis semanas do prazo final, a onda de ataques mostra que pouco avançou — e que a paz nunca esteve tão distante.
Entre a retórica de Trump e as ameaças de Teerã, o mundo observa com apreensão o risco de fechamento de Ormuz, um cenário que faria os preços do petróleo dispararem e reacenderia uma guerra que já matou o líder supremo iraniano e desestabilizou todo o Oriente Médio.
Fontes: Centcom, Reuters, CBS News, Time e Organização Marítima Internacional.