EUA atacam Irã pela quarta noite e reimpõem bloqueio naval

Por Cenas de Combate

EUA atacam o Irã pela quarta noite seguida e reimpõem bloqueio naval aos portos iranianos. Trump ameaça bombardear pontes e usinas se Teerã não negociar.

EUA atacam Irã pela quarta noite e reimpõem bloqueio naval

As forças americanas bombardearam o Irã pela quarta noite consecutiva, atingindo dezenas de alvos ao redor do Estreito de Ormuz ao longo de uma ofensiva de sete horas. Ao mesmo tempo, os EUA reimpuseram o bloqueio naval aos portos iranianos, apertando ainda mais o cerco econômico contra Teerã.

A escalada veio acompanhada de uma nova ameaça de Trump. O presidente afirmou que atacará pontes e usinas de energia do Irã na próxima semana caso Teerã não volte a negociar.

Sete horas de bombardeios

Segundo o Comando Central americano (Centcom), caças, drones e navios de guerra dispararam munições de precisão contra sistemas de mísseis e drones, capacidades navais e defesas costeiras iranianas. O objetivo declarado é "degradar ainda mais" a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no estreito.

A mídia estatal iraniana relatou explosões na ilha de Qeshm, em Ahvaz e em Bandar Abbas. Segundo Teerã, mais de 30 civis morreram nos ataques americanos dos últimos dias. Uma emissora iraniana afirmou que um dos bombardeios danificou uma fábrica de engarrafamento de água perto da fronteira com o Iraque.

O bloqueio volta em vigor

Horas antes da ofensiva, os EUA reativaram o bloqueio naval às embarcações que entram ou saem de portos iranianos. A medida havia sido aplicada entre abril e junho e suspensa após a assinatura do acordo provisório.

Para sustentar a operação, o Centcom afirmou manter mais de 20 navios de guerra e centenas de aeronaves no Oriente Médio. "As forças americanas permanecem vigilantes, letais e prontas", declarou o comando.

A ameaça à infraestrutura civil

Em entrevistas de TV, Trump elevou o tom de forma inédita, prometendo mirar alvos civis caso o Irã não recue.

"Vai ficar muito ruim na próxima semana. Vamos atingir pontes e usinas de energia. E os ataques vão continuar até eu dizer que chega." — Donald Trump

Vale registrar que essa não é a primeira vez que o presidente faz esse tipo de ameaça, frequentemente usada como tática de negociação, sem necessariamente se concretizar. Um general reformado ponderou, na CNN, que pontes de uso militar são alvos legítimos — mas alertou para o risco de atingir estruturas civis.

Trump recua na "taxa de Ormuz"

O presidente também deu um passo atrás em uma de suas propostas mais polêmicas. Depois de exigir que os navios pagassem aos EUA 20% do valor da carga pela "proteção" do estreito, Trump abandonou a ideia diante da reação do setor marítimo.

No lugar da taxa, ele afirmou que os países árabes do Golfo farão "acordos de comércio e investimento" com os Estados Unidos. Em outra fala que elevou a tensão, o presidente não descartou o envio de tropas terrestres ao Irã.

A retaliação iraniana

Como nas noites anteriores, o Irã revidou contra os aliados de Washington na região. A Jordânia afirmou ter abatido três mísseis balísticos vindos do território iraniano. O Kuwait interceptou um míssil balístico, cinco de cruzeiro e 33 drones, com relatos de estilhaços atingindo áreas civis. Sirenes também soaram no Bahrein.

A Guarda Revolucionária ameaçou fechar outras rotas de energia caso os EUA insistam em controlar as passagens marítimas, com um recado direto: as exportações da região "serão para todos ou para ninguém".

Diplomacia sob fogo

Apesar de tudo, os canais não foram totalmente rompidos. Representantes de EUA e Irã ainda conversam, mas Washington afirma que não há avanço possível enquanto Teerã limitar o tráfego em Ormuz. O Memorando de Islamabad, assinado em 17 de junho, previa 60 dias para negociar questões como o programa nuclear — prazo agora ameaçado pela guerra no estreito.

A crise já produz efeitos concretos até em Washington: senadores da oposição bloquearam o pacote anual de defesa, em protesto contra a guerra, e o governo congelou mais de US$ 130 milhões em criptomoedas ligadas ao Irã.

Um cerco que se fecha

A cada noite de bombardeios, o conflito se afasta mais da mesa de negociação e se aproxima de uma guerra aberta. O bloqueio naval, somado à ameaça contra a infraestrutura civil, aumenta a pressão sobre Teerã — mas também o risco de uma resposta desesperada.

No centro de tudo segue o Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto de todo o petróleo e gás negociados no mundo. Enquanto os dois lados disputam seu controle, o mundo observa, temendo o momento em que a retórica dê lugar a um ponto sem retorno.

Fontes: Centcom, CBS News, CNN, Euronews, The Hill e Stars and Stripes.

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