EUA atacam mais de 80 alvos no Irã após Ormuz
EUA atingem mais de 80 alvos no Irã após ataques a navios no Estreito de Ormuz. Teerã promete resposta "esmagadora" e o cessar-fogo fica por um fio.
Os Estados Unidos lançaram uma ampla ofensiva militar contra o Irã nesta terça-feira (7), atingindo mais de 80 alvos, segundo o Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom). A operação foi anunciada como resposta a ataques contra três navios comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
O episódio abala o frágil cessar-fogo firmado entre os dois países em junho. Segundo uma autoridade americana, esta ofensiva foi quatro a cinco vezes maior que a realizada dez dias antes.
O que os EUA atingiram
Segundo o Centcom, a operação buscou impor "custos elevados" ao Irã por atacar embarcações tripuladas por civis em uma via internacional. Uma fonte americana disse à Reuters que os ataques miraram sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis antinavio e lançadores de drones.
"Os ataques dos EUA são uma resposta às investidas iranianas contra três embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz. A agressão do Irã foi injustificada, perigosa e uma clara violação do cessar-fogo." — Comunicado do Centcom
As forças americanas afirmaram ter destruído também mais de 60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária iraniana, usadas em ações contra a navegação na região.
Explosões no sul do Irã
A TV estatal iraniana relatou uma série de explosões em cidades portuárias do sul do país. Além de Sirik, próxima ao Estreito de Ormuz, foram registrados estrondos em Bandar Abbas, na ilha de Qeshm e em Kharg, um importante polo de exportação de petróleo.
Segundo a emissora estatal IRIB, projéteis atingiram um cais comercial em Sirik, e várias pessoas ficaram feridas por estilhaços. A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária, relatou mais de uma dezena de explosões no sul iraniano.
Os navios que motivaram o ataque
A ofensiva foi precedida por ataques a três petroleiros. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que as embarcações foram atingidas por projéteis, sem feridos. O governo do Catar afirmou que uma das naves era o petroleiro "Al Rekayyat" e responsabilizou o Irã.
As investidas ocorreram na rota sul do estreito, controlada por EUA e Omã. Dias antes, o Irã havia advertido que todos os petroleiros deveriam usar apenas as rotas aprovadas por Teerã, sob risco de uma reação "rápida e decisiva". O Irã não reivindicou os ataques.
Petróleo e sanções voltam à mesa
Horas antes da ofensiva, o Departamento do Tesouro dos EUA revogou a licença que autorizava a venda de petróleo e petroquímicos iranianos — uma fonte de receita que havia sido negociada no acordo recente. A medida corta um dos principais ganhos obtidos por Teerã nas tratativas.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou a decisão, classificando-a como "clara violação" do memorando de entendimento e responsabilizando Washington pelo rompimento dos termos.
Irã promete resposta "esmagadora"
Teerã reagiu com dureza. O comando militar central iraniano prometeu responder "de forma decisiva a esse ato de agressão e terrorismo" e afirmou que não permitirá interferência estrangeira na gestão do Estreito de Ormuz.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os EUA de "grandes violações" do acordo. Pouco depois, defesas antiaéreas foram acionadas no Bahrein e no Kuwait, sinal de que a escalada já se espalha pela região.
Negociação em risco
Apesar da nova escalada, os canais diplomáticos seguem abertos. Um funcionário do governo americano disse à Reuters que representantes dos dois países ainda atuam "de boa-fé" em busca de um acordo de paz definitivo. A guerra entre EUA e Irã começou em 28 de fevereiro, com ataques que mataram o então líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O controle e a segurança do Estreito de Ormuz seguem no centro do atrito. Enquanto Trump acompanhava a crise da cúpula da OTAN, em Ancara, o mundo voltava a temer o fechamento do estreito — um cenário que dispararia os preços do petróleo e ameaçaria a economia global.
Fontes: Centcom, Reuters, CNN, CNBC, Euronews e The Jerusalem Post.