EUA e Irã anunciam acordo de paz após quase quatro meses de guerra
Trump e o premiê paquistanês Shehbaz Sharif anunciaram acordo de paz entre EUA e Irã, com cessar-fogo, reabertura de Ormuz e assinatura prevista na Suíça.
Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar para encerrar a guerra entre os dois países, segundo anúncios feitos pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
O acordo prevê um cessar-fogo, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova etapa de negociações técnicas sobre sanções, navegação, reconstrução e o programa nuclear iraniano.
O anúncio representa o avanço diplomático mais importante desde o início da guerra, mas ainda depende de assinatura formal e de cumprimento pelas partes.
Trump anuncia acordo com o Irã
Donald Trump afirmou em publicação na Truth Social que o acordo com a República Islâmica do Irã estava concluído.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!”, declarou Trump.
Na mesma publicação, o presidente americano anunciou a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos e defendeu a retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou Trump.
A declaração foi recebida como um sinal de alívio nos mercados globais, já que Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.
Paquistão confirma mediação
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também confirmou o acordo e afirmou que os dois lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares.
Segundo Sharif, o entendimento inclui todas as frentes da guerra, inclusive o Líbano, onde Israel e o Hezbollah continuavam em confronto mesmo durante as negociações entre Washington e Teerã.
A cerimônia oficial de assinatura do tratado está prevista para 19 de junho, na Suíça.
O papel do Paquistão foi central. Islamabad atuou como mediador entre Washington e Teerã em uma fase em que os dois governos mantinham forte desconfiança mútua, ataques em andamento e posições públicas difíceis de conciliar.
Irã também confirma cessar-fogo
A agência estatal iraniana IRNA reproduziu as mensagens de Trump e Sharif e confirmou o anúncio do acordo.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à TV estatal que o cessar-fogo entraria em vigor ainda na noite do anúncio.
Segundo ele, as negociações para um acordo final devem durar 60 dias e incluir temas como fim das sanções, reconstrução do país e mecanismos de monitoramento para verificar o cumprimento dos compromissos assumidos.
Gharibabadi também afirmou que Teerã responderá caso o acordo seja violado.
O acordo interrompe a fase militar mais intensa, mas não elimina as disputas centrais entre Washington e Teerã.
Ormuz volta ao centro da crise
Um dos pontos mais importantes do entendimento é a reabertura do Estreito de Ormuz.
A passagem conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, era uma das principais rotas globais para petróleo e gás.
Durante o conflito, Ormuz se tornou instrumento de pressão estratégica. O Irã restringiu a navegação, enquanto os Estados Unidos impuseram bloqueio naval a portos iranianos e operações militares para garantir a passagem de navios.
Agora, Trump afirma ter autorizado a retirada do bloqueio naval americano e a abertura da rota sem cobrança de pedágios ou taxas.
A reabertura de Ormuz é a parte mais imediata do acordo, porque afeta diretamente energia, inflação, comércio marítimo e estabilidade econômica global.
O que se sabe sobre os pontos do acordo?
Nenhum dos lados divulgou oficialmente o texto completo do acordo. Mesmo assim, veículos internacionais publicaram pontos atribuídos a fontes dos governos americano, iraniano e de países mediadores.
Entre os elementos citados estão a extensão do cessar-fogo por 60 dias, a reabertura de Ormuz, o levantamento do bloqueio naval americano, a flexibilização gradual de sanções e a abertura de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Fontes americanas indicam que Washington quer garantir que o Irã não desenvolva uma arma nuclear e que ativos congelados só sejam liberados conforme Teerã cumpra suas obrigações.
Já a imprensa estatal e semioficial iraniana afirma que Teerã não aceitará abrir mão de sua soberania sobre Ormuz nem de seu direito ao enriquecimento de urânio.
Programa nuclear segue como maior impasse
O ponto mais sensível continua sendo o programa nuclear iraniano.
Trump afirma que o acordo cria uma barreira para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear. Teerã nega ter intenção de desenvolver armas nucleares e insiste que seu programa tem fins civis e energéticos.
Segundo relatos da imprensa internacional, a próxima fase de negociações deverá tratar do estoque de urânio enriquecido, do nível de enriquecimento permitido, dos mecanismos de verificação e do eventual papel de inspetores internacionais.
Esse será o teste real do acordo. Um cessar-fogo pode ser anunciado rapidamente. Mas definir limites nucleares, sanções, verificação e garantias de segurança exige negociação muito mais complexa.
Sanções e ativos congelados
Outro ponto central é o futuro das sanções contra o Irã.
Teerã exige o levantamento das sanções internacionais, a liberação de ativos congelados e mecanismos de reconstrução após meses de guerra.
Washington, por outro lado, tenta condicionar qualquer alívio econômico ao cumprimento de compromissos iranianos. Isso inclui restrições nucleares, abertura de Ormuz e respeito ao cessar-fogo.
Essa diferença mostra que o acordo anunciado é mais um marco de desescalada do que uma solução definitiva. Os dois lados aceitaram parar de atirar, mas ainda não resolveram o que cada um deve entregar para transformar a trégua em paz duradoura.
O Líbano entra na negociação
O anúncio de Sharif afirmou que o cessar-fogo inclui todas as frentes, inclusive o Líbano.
Esse ponto é importante porque o Hezbollah, aliado do Irã, vinha trocando ataques com Israel. A frente libanesa quase derrubou as negociações em momentos anteriores, especialmente após novos bombardeios israelenses em Beirute e no sul do Líbano.
Para o Irã, qualquer acordo regional precisa reduzir também a pressão contra seus aliados. Para os Estados Unidos, a prioridade é encerrar o confronto direto com Teerã e garantir que a crise não volte a ameaçar Ormuz.
Israel, porém, não é parte direta do acordo entre EUA e Irã, o que torna a implementação mais difícil.
O cessar-fogo entre Washington e Teerã pode ser abalado se Israel e Hezbollah continuarem trocando ataques no Líbano.
Mercados reagem com alívio
O anúncio do acordo provocou reação imediata nos mercados internacionais.
As bolsas globais subiram e o preço do petróleo caiu, refletindo a expectativa de reabertura de Ormuz e redução do risco de interrupção no fornecimento de energia.
A queda do petróleo também reduz temores de inflação global, já que uma crise prolongada no Golfo poderia encarecer combustíveis, transporte, alimentos e cadeias industriais em vários países.
Mesmo assim, o alívio depende da implementação. Se houver violação do cessar-fogo, novos ataques ou impasse sobre o programa nuclear, os mercados podem voltar a reagir com tensão.
Um acordo ainda frágil
Apesar do tom otimista de Trump e Sharif, o acordo ainda é frágil.
Primeiro, porque a assinatura formal está prevista para os próximos dias. Segundo, porque há versões diferentes sobre pontos centrais, especialmente sanções, ativos congelados, controle de Ormuz e limites ao enriquecimento de urânio.
Terceiro, porque atores regionais como Israel, Hezbollah e países do Golfo podem afetar diretamente o ambiente de segurança, mesmo sem estarem no centro da negociação formal entre Estados Unidos e Irã.
Além disso, setores duros dentro do Irã já criticam o entendimento, alegando que o país pode estar cedendo demais. Nos Estados Unidos, o acordo também deve enfrentar pressão política de grupos que defendem posição mais dura contra Teerã.
O anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã marca uma virada importante após quase quatro meses de guerra.
Trump tenta apresentar o entendimento como vitória diplomática e estratégica, com reabertura de Ormuz, retirada do bloqueio naval e promessa de impedir uma arma nuclear iraniana.
O Irã, por sua vez, busca apresentar o acordo como resultado de resistência militar e diplomática, com possibilidade de alívio de sanções, reconstrução e preservação de seus direitos soberanos.
O Paquistão sai fortalecido como mediador, ao anunciar um entendimento que pode reduzir a maior crise militar recente no Oriente Médio.
Mas o ponto decisivo ainda está pela frente. O cessar-fogo pode interromper os ataques. A assinatura pode formalizar o acordo. Porém, a paz real dependerá de Ormuz aberto, sanções negociadas, programa nuclear monitorado e contenção das frentes paralelas, principalmente no Líbano.
Se esses pontos avançarem, o acordo poderá ser lembrado como o início de uma nova fase no Oriente Médio. Se fracassarem, será apenas mais uma trégua curta em uma guerra que ainda não encontrou solução definitiva.
Fonte: Reuters, Associated Press, Axios, Al Jazeera, The Guardian, IRNA e Mehr News.