Exército testa defesa antiaérea e salto paraquedista em exercício

Por Cenas de Combate

Exército, FAB e Marinha participam do Exercício Escudo-Tínia em Goiás, com defesa antiaérea, Gripen, KC-390, radar M200 e tropas paraquedistas.

Exército testa defesa antiaérea e salto paraquedista em exercício

O Brasil está treinando uma resposta militar em um cenário de guerra aérea sobre pontos estratégicos no Centro-Oeste. Em Goiás, Exército, Força Aérea Brasileira e Marinha participam do Exercício Escudo-Tínia, uma operação conjunta que testa defesa antiaérea, integração entre Forças Armadas e infiltração de tropas aeroterrestres.

A atividade acontece em Anápolis e em localidades próximas, dentro de um contexto de defesa aeroespacial de estruturas críticas. Na prática, o exercício simula situações em que aeronaves hostis tentam atingir pontos sensíveis, enquanto unidades de defesa antiaérea, radares, centros de comando e tropas no terreno precisam agir de forma coordenada.

Exercício Escudo-Tínia ocorre pela primeira vez no Centro-Oeste

O Exercício Escudo-Tínia começou em 11 de maio e segue até 29 de maio. Segundo o Exército Brasileiro, esta é a primeira vez que o treinamento é realizado na região Centro-Oeste, tendo Anápolis, em Goiás, como uma das áreas centrais da operação.

O objetivo principal é verificar o grau de interoperabilidade entre Exército, FAB e Marinha. Em outras palavras, o exercício avalia como as três Forças conseguem operar juntas em um cenário complexo, com ameaças aéreas, proteção de pontos estratégicos, emprego de aeronaves, coordenação do espaço aéreo e tropas no terreno.

Esse tipo de treinamento é fundamental porque, em uma crise real, nenhuma Força atua isolada. A defesa do território exige integração, comunicação rápida e capacidade de resposta conjunta.

Defesa antiaérea protege pontos estratégicos em Goiás

Crédito: Foto Divulgação Exercíto do Brasil

Um dos focos principais da Escudo-Tínia é a defesa antiaérea. O Comando de Defesa Antiaérea do Exército é responsável por proteger estruturas críticas de interesse estratégico e tropas desdobradas no terreno contra possíveis vetores aéreos hostis.

Durante a atividade, unidades antiaéreas estão realizando a defesa do aeródromo e da estação de tratamento na região de Itaberaí, em Goiás, além de outros pontos sensíveis dentro da situação simulada de conflito armado.

Para isso, o Exército mobilizou meios e pessoal de diferentes Organizações Militares. Ao todo, os deslocamentos terrestres somaram cerca de 4.100 quilômetros, envolvendo efetivos vindos de Brasília, Guarujá, Jundiaí, Osasco e Sete Lagoas.

Aeronaves da FAB simulam ataques contra áreas defendidas

Crédito: Foto Divulgação Exercíto do Brasil

A Escudo-Tínia é um exercício de dupla ação. Isso significa que, enquanto uma parte da força atua na defesa, outra executa incursões simuladas contra os pontos protegidos. Dessa forma, o treinamento fica mais próximo de um ambiente real de combate.

Segundo o Exército, aeronaves da FAB como o A-29 Super Tucano, o KC-390 Millennium e, pela primeira vez nesse contexto, o F-39 Gripen, realizam incursões sobre pontos sensíveis defendidos por unidades de tiro.

Essas unidades executam a neutralização das ameaças com o emprego do míssil RBS 70. Enquanto isso, o Centro de Operações Antiaéreas do Comando de Defesa Antiaérea, instalado na Base Aérea de Anápolis, coordena radares e tropas desdobradas no terreno para o engajamento dos vetores hostis.

Radar M200 Vigilante passa por avaliação operacional

Outro ponto importante do exercício é a avaliação operacional do Radar M200 Vigilante. Durante a Escudo-Tínia, o Centro de Avaliações do Exército e o Centro Tecnológico do Exército testam o equipamento em um ambiente de operação conjunta.

O radar tem potencial para detectar aeronaves a até 200 quilômetros de distância, possui rápida entrada em funcionamento e pode ser transportado por viatura sobre rodas ou por aeronaves como o KC-390.

Além disso, ocorre durante o exercício a integração inédita do Radar M200 Vigilante com o Comando do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea. Essa integração busca aumentar a eficiência do subsistema de controle e alerta da Artilharia Antiaérea em operações militares.

Na prática, quanto mais cedo uma ameaça aérea é detectada, maior é o tempo disponível para decidir, coordenar e responder.

Paraquedistas treinam infiltração a grande altitude

Crédito: Foto Divulgação Exercíto do Brasil

A operação também envolve o adestramento de tropas aeroterrestres. Nos primeiros dias da atividade, militares do Batalhão de Precursores realizaram Guiamento Aéreo Avançado, enquanto efetivos do Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimentos pelo Ar executaram lançamentos de carga.

No dia 20 de maio, paraquedistas das três Forças saltaram simultaneamente de uma aeronave KC-390. Participaram militares do Batalhão de Precursores, pelo Exército; dos Comandos Anfíbios e do Grupamento de Mergulhadores de Combate, pela Marinha; e do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento, o PARA-SAR, pela FAB.

Os militares realizaram infiltração aeroterrestre a 12 mil pés de altitude. Essa preparação antecede o salto em voo a grande altitude, conhecido pela sigla HAHO, previsto para cerca de 18 mil pés.

Chuva de velame será uma das fases finais da operação

O coroamento da participação da tropa paraquedista na Escudo-Tínia está previsto para a semana seguinte, entre os dias 25 e 27 de maio. Nessa fase, militares da Força-Tarefa Afonsos devem realizar um assalto aeroterrestre em zonas de lançamento nas cidades de Itaberaí e Goiás.

A atividade é conhecida como “chuva de velame”, expressão usada para descrever o lançamento de grande quantidade de paraquedistas, com vários velames abertos no céu durante a operação.

Além do impacto visual, esse tipo de treinamento tem valor tático. Ele permite testar coordenação aérea, lançamento em zona determinada, reorganização da tropa após o salto e capacidade de cumprir uma missão em território previamente definido.

Interoperabilidade é o centro da operação

O ponto mais importante da Escudo-Tínia não está apenas no uso de aeronaves modernas, radares, mísseis ou tropas especializadas. O centro da operação é a interoperabilidade.

Em um conflito real, defesa aérea, aviação de transporte, tropas paraquedistas, unidades antiaéreas, centros de comando e meios navais precisam operar com procedimentos compatíveis. Caso contrário, a resposta se torna lenta, fragmentada e vulnerável.

Por isso, exercícios conjuntos como esse servem para corrigir falhas, alinhar protocolos e fortalecer a capacidade de resposta rápida das Forças Armadas brasileiras.

Um treinamento que mostra a defesa do Brasil em camadas

A Escudo-Tínia mostra uma parte da defesa nacional que normalmente aparece pouco para o público: a proteção de pontos estratégicos contra ameaças aéreas. Não se trata apenas de colocar um míssil no terreno ou uma aeronave no céu. O processo envolve detecção, comando, controle, comunicação, decisão e ação coordenada.

Enquanto aeronaves simulam ataques, radares buscam alvos. Enquanto unidades antiaéreas se preparam para engajar ameaças, tropas aeroterrestres treinam infiltrações complexas. Enquanto isso, Exército, FAB e Marinha ajustam procedimentos para operar como uma força integrada.

No fim, o Exercício Escudo-Tínia não é apenas uma demonstração de meios militares. É um teste de prontidão, coordenação e capacidade de resposta em um cenário onde segundos podem decidir a proteção de estruturas críticas do país.

Por isso, a operação no Centro-Oeste representa mais do que um treinamento regional. Ela mostra como o Brasil busca preparar suas Forças Armadas para defender pontos sensíveis, responder a crises e operar de forma conjunta em situações de alta complexidade.

Fonte: Exército Brasileiro, Agência Verde-Oliva/CCOMSEx e Forças de Defesa.

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