FAB mira frota de 56 Gripen e produção no Brasil

Por Cenas de Combate

Brasil manifesta interesse em comprar mais 20 caças Gripen E/F da Suécia, o que elevaria a frota planejada da FAB para 56 aeronaves.

FAB mira frota de 56 Gripen e produção no Brasil

A Força Aérea Brasileira pode dar um novo passo no programa F-39 Gripen. Após ampliar a cooperação tecnológica e industrial com a Suécia, o Brasil manifestou interesse em adquirir mais 20 caças Gripen E/F, além das 36 aeronaves já contratadas.

Se a intenção avançar para uma compra formal, a frota planejada da FAB passaria de 36 para 56 caças. A mudança reforçaria a capacidade de combate aéreo do país e ampliaria o papel do Brasil dentro da cadeia de produção do caça sueco.

O ponto central da negociação é que ela vai além da compra de aeronaves. O programa Gripen envolve transferência de tecnologia, montagem local, participação da indústria nacional e a possibilidade de consolidar o Brasil como um dos principais polos do caça fora da Suécia.

Brasil quer mais 20 Gripen

O interesse brasileiro foi anunciado durante encontro entre o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, e o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, em Estocolmo. Os dois países assinaram uma declaração de intenção para aprofundar a cooperação em defesa, especialmente nas áreas tecnológica e industrial.

Segundo o governo sueco, o Brasil expressou interesse em ir além dos 36 caças já contratados e considerar a aquisição de mais 20 aeronaves Gripen E/F. Pål Jonson afirmou que, caso o novo lote seja confirmado, os aviões seriam fabricados no Brasil.

Segundo o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, o Brasil manifestou interesse em comprar mais 20 Gripen, que seriam fabricados no Brasil.

A eventual compra, no entanto, ainda não representa uma decisão formal. Trata-se, por enquanto, de uma manifestação de interesse dentro de uma cooperação mais ampla entre Brasil e Suécia.

Frota passaria de 36 para 56 caças

O contrato original do programa Gripen, assinado em 2014, prevê 36 aeronaves para a Força Aérea Brasileira, sendo 28 Gripen E e 8 Gripen F. O Gripen E é a versão monoposto, enquanto o Gripen F é a variante biposto, desenvolvida com participação brasileira e voltada tanto ao treinamento quanto a missões operacionais.

Com mais 20 caças, a frota planejada da FAB chegaria a 56 aeronaves. Esse número daria maior profundidade à aviação de caça brasileira, permitindo ampliar a disponibilidade operacional, reforçar unidades aéreas e acelerar a substituição de vetores mais antigos.

Os primeiros caças do contrato original já foram entregues, e a previsão informada pela Reuters é que o restante das aeronaves contratadas seja entregue até 2027. A ampliação da frota dependeria de nova decisão de compra, definição orçamentária e negociação entre os governos e a Saab.

Por que fabricar no Brasil importa

A informação de que os novos caças poderiam ser fabricados no Brasil é um dos pontos mais relevantes da negociação. Desde 2023, Saab e Embraer mantêm uma linha de produção do Gripen no país, dentro do processo de transferência de tecnologia previsto no programa.

Essa estrutura permite que parte da produção, integração e desenvolvimento associados ao caça ocorra em território brasileiro. Na prática, isso fortalece a indústria nacional, cria conhecimento técnico local e reduz a dependência de processos totalmente concentrados no exterior.

Para o Brasil, fabricar parte dos Gripen no país significa transformar uma compra militar em uma oportunidade industrial de longo prazo.

Esse é um ponto estratégico porque caças modernos não são apenas plataformas de combate. Eles envolvem software, sensores, sistemas de missão, integração de armamentos, manutenção avançada, engenharia aeronáutica e cadeia de fornecedores altamente especializada.

Transferência de tecnologia é peça central

O programa Gripen é considerado um dos projetos mais importantes de transferência de tecnologia da defesa brasileira. A parceria com a Saab envolveu a capacitação de engenheiros, técnicos e empresas nacionais, além da participação brasileira no desenvolvimento da versão Gripen F.

A Saab apresentou recentemente o primeiro Gripen F destinado à FAB, em cerimônia realizada em Linköping, na Suécia. A aeronave biposto foi desenvolvida com participação do Brasil e combina treinamento de conversão operacional com capacidade de combate.

A eventual aquisição de mais 20 caças poderia ampliar esse ciclo industrial. Quanto maior for a frota, maior tende a ser a demanda por manutenção, suporte, treinamento, atualização de sistemas e produção de componentes ao longo dos anos.

Saab também deve ampliar presença no Brasil

Além da manifestação de interesse pelos novos caças, o ministro sueco afirmou que a Saab deve estabelecer uma unidade de pesquisa e desenvolvimento no Brasil como parte do aprofundamento da colaboração bilateral.

Esse tipo de estrutura pode aumentar o peso do país no programa, especialmente se estiver ligada a engenharia, sistemas embarcados, integração tecnológica e suporte ao ciclo de vida da aeronave.

Para a indústria brasileira de defesa, a criação de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento representa uma oportunidade de avançar para etapas mais sofisticadas da cadeia produtiva. Não se trata apenas de montar aeronaves, mas de participar de conhecimento técnico ligado a projetos de alta complexidade.

Gripen reforça a defesa aérea brasileira

Do ponto de vista militar, a ampliação da frota teria impacto direto na capacidade de defesa aérea do Brasil. O país possui dimensões continentais, uma extensa fronteira terrestre e uma área marítima estratégica no Atlântico Sul.

O Gripen foi escolhido para substituir gradualmente caças mais antigos da FAB e trazer uma nova geração de sensores, sistemas de missão, capacidade de combate em rede e armamentos modernos. Com mais aeronaves, a Força Aérea teria maior margem para treinamento, manutenção, prontidão e emprego operacional.

Uma frota maior também reduz a pressão sobre cada unidade individual. Em aviação militar, o número total de aeronaves não corresponde ao número disponível todos os dias, já que parte da frota passa por manutenção, inspeções, atualização e treinamento.

Compra ainda depende de decisão política e orçamento

Apesar do interesse brasileiro, a compra dos 20 caças adicionais ainda não está fechada. A declaração de intenção indica aproximação estratégica, mas não substitui contrato, financiamento, cronograma e aprovação orçamentária.

Esse detalhe é importante porque programas de defesa desse porte exigem planejamento de longo prazo. A compra de caças envolve custos de aquisição, infraestrutura, armamentos, simuladores, manutenção, treinamento e atualização tecnológica durante décadas.

Por isso, o avanço da negociação dependerá não apenas da vontade da FAB, mas também da capacidade do governo brasileiro de sustentar financeiramente o programa e transformar a intenção em contrato.

Brasil pode ganhar peso no mercado global

Se o novo lote for confirmado e fabricado no Brasil, o país poderá ampliar sua relevância dentro do ecossistema global do Gripen. A Saab já busca expandir a presença internacional da aeronave, e a versão Gripen F, desenvolvida com participação brasileira, também passou a atrair interesse de outros países.

O Brasil não se tornaria automaticamente um exportador independente de caças, mas poderia consolidar uma posição mais importante em produção, engenharia, manutenção e suporte. Isso abre espaço para a indústria nacional participar de uma cadeia internacional de defesa de maior valor agregado.

Essa possibilidade explica por que a negociação vai além do número de aeronaves. Para a FAB, os novos caças significam capacidade operacional. Para a indústria, podem representar escala, tecnologia e presença em um programa militar de alcance internacional.

O interesse brasileiro em adquirir mais 20 Gripen E/F mostra que o programa pode entrar em uma nova fase. Caso a negociação avance, a frota planejada da FAB passaria de 36 para 56 aeronaves, ampliando a capacidade de defesa aérea do país.

Mas o aspecto mais estratégico está na dimensão industrial. A possibilidade de fabricar os novos caças no Brasil reforça a transferência de tecnologia, aumenta o papel da indústria nacional e pode consolidar o país como um polo relevante do Gripen fora da Suécia.

A pergunta, portanto, não é apenas se o Brasil comprará mais caças. É se o país conseguirá transformar essa expansão em capacidade militar, domínio tecnológico e presença mais forte no mercado global de defesa.

Fonte: Reuters, Saab, Forças de Defesa e governo da Suécia.

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