Gripen F marca nova fase da FAB
Saab apresenta o primeiro Gripen F para a FAB, caça biposto desenvolvido com participação brasileira e voltado a treinamento avançado e capacidade operacional.
A Saab apresentou oficialmente o primeiro Gripen F destinado à Força Aérea Brasileira (FAB), em uma cerimônia realizada nas instalações da empresa em Linköping, na Suécia. A aeronave é a versão biposto da família Gripen E/F e foi desenvolvida com participação direta do Brasil.
O evento marcou uma etapa importante do programa brasileiro de modernização da aviação de caça. Mais do que uma nova aeronave, o Gripen F representa a combinação entre treinamento avançado, capacidade operacional e transferência de tecnologia em um projeto que envolve a indústria brasileira desde o desenvolvimento.
O Gripen F não é apenas uma versão de treinamento. Ele é um caça plenamente operacional, com dois assentos, projetado para preparar pilotos em condições próximas das missões reais.
O que é o Gripen F
O Gripen F é a variante de dois lugares da série Gripen E. Ele foi criado para atender às necessidades de forças aéreas que precisam formar pilotos em aeronaves modernas, sem abrir mão de capacidade de combate.
Na prática, o segundo cockpit permite que um instrutor acompanhe o piloto durante a conversão operacional, conduzindo treinamentos mais complexos e aproximando a formação das condições reais de missão. Isso ajuda a reduzir o tempo necessário para preparar tripulações para operar caças de nova geração.
Segundo a Saab, o Gripen F mantém desempenho elevado, sensores avançados e uma arquitetura de missão semelhante à do Gripen E. A diferença principal está na presença do segundo posto de pilotagem, que amplia as possibilidades de treinamento e de comando da missão.
Brasil teve papel no desenvolvimento

O Brasil é o cliente lançador do Gripen F e participou do codesenvolvimento da versão biposto. Esse envolvimento ocorreu dentro do programa de transferência de tecnologia firmado no contrato assinado em 2014 entre o governo brasileiro e a Saab.
O acordo prevê a produção de 36 aeronaves para a FAB, sendo 28 Gripen E e 8 Gripen F. As entregas começaram em 2020 e, até o momento, 11 caças já foram entregues ao Brasil.
Além da aquisição das aeronaves, o programa inclui capacitação de engenheiros, técnicos e empresas brasileiras. A parceria com a Saab e a Embraer também colocou o Brasil em uma posição mais relevante dentro da cadeia de produção e manutenção de caças supersônicos.
“A apresentação do Gripen F representa uma conquista compartilhada entre a Saab, a indústria brasileira e a FAB”, afirmou Lars Tossman, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab.
Por que o caça biposto importa
Em uma força aérea moderna, treinar pilotos não significa apenas ensinar decolagem, navegação e pouso. O piloto precisa aprender a operar sensores, interpretar dados, coordenar armamentos, lidar com guerra eletrônica e tomar decisões rápidas em ambientes de alta ameaça.
O Gripen F permite que essa formação ocorra dentro de uma aeronave operacional, com instrutor e aluno compartilhando a missão. Isso pode acelerar a adaptação dos pilotos brasileiros ao novo sistema de armas e reduzir a dependência de métodos mais tradicionais de conversão.
A presença de dois tripulantes também pode ser útil em missões específicas, especialmente quando há grande carga de trabalho, necessidade de coordenação tática ou operação intensiva de sensores e sistemas embarcados.
Para a FAB, o Gripen F ajuda a encurtar a distância entre o treinamento em simuladores e a operação real de um caça moderno.

Aeronave passará por testes na Suécia
Antes da entrega final à Força Aérea Brasileira, o primeiro Gripen F passará por uma campanha de testes no Flight Test Centre da Saab, na Suécia. Essa etapa serve para verificar o desempenho da aeronave, validar sistemas e garantir que o caça esteja pronto para operação.
Depois dessa fase, o modelo será incorporado ao processo de formação e operação da FAB dentro do programa F-39 Gripen, nome adotado pela Força Aérea Brasileira para a aeronave.
A chegada do Gripen F também ocorre em um momento de expansão do interesse internacional pela família Gripen. Além do Brasil, a Saab já recebeu pedidos da Tailândia e da Colômbia para a versão biposto.
Gripen fortalece a indústria de defesa brasileira
O programa Gripen tem sido apresentado pela FAB, pela Saab e pela indústria nacional como um dos projetos mais relevantes de transferência de tecnologia da defesa brasileira. A parceria envolve treinamento de profissionais, desenvolvimento conjunto e produção local de partes da aeronave.
Em março de 2026, Saab, Embraer e FAB apresentaram o primeiro Gripen E produzido no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O marco reforçou a capacidade brasileira de participar da fabricação de aeronaves supersônicas modernas.
Esse processo não transforma o Brasil automaticamente em produtor independente de caças, mas amplia o domínio técnico nacional em áreas estratégicas, como integração de sistemas, engenharia aeronáutica, manutenção avançada e suporte ao ciclo de vida da aeronave.
Uma nova etapa para a defesa aérea
A substituição gradual dos antigos caças da FAB pelo Gripen é parte de um processo de modernização da defesa aérea brasileira. O novo caça traz sensores modernos, maior integração de dados e capacidade de atuar em missões ar-ar, ar-solo e de reconhecimento.
Para um país de dimensões continentais, a capacidade de controlar o espaço aéreo é um elemento central de soberania. Nesse contexto, o Gripen F tem um papel específico: garantir que a transição para a nova geração de caças ocorra com treinamento mais eficiente e maior segurança operacional.
O projeto também reforça a relação estratégica entre Brasil e Suécia, que vem se aprofundando no setor de defesa desde a assinatura do contrato original.
A apresentação do primeiro Gripen F representa mais do que a chegada de uma nova variante ao programa da FAB. Ela confirma o avanço de uma cooperação industrial e militar que colocou o Brasil dentro do desenvolvimento de uma aeronave de combate moderna.
O caça biposto será importante para acelerar a formação de pilotos, ampliar a capacidade de treinamento e fortalecer a transição da FAB para uma nova geração de aviação de caça.
Em um cenário internacional cada vez mais tecnológico, o Gripen F mostra que a modernização militar não depende apenas da compra de equipamentos. Ela também passa por formação, transferência de conhecimento e capacidade nacional de sustentar sistemas complexos ao longo do tempo.
Fonte: Saab, Forças de Defesa, Força Aérea Brasileira, Reuters e CNN Brasil.