"Guerra em grande escala": EUA bombardeiam Irã pela décima noite

Por Cenas de Combate

EUA bombardeiam o Irã pela décima noite seguida e Pezeshkian admite guerra em grande escala. Mediadores propõem trégua de 10 dias, mas ninguém aceitou ainda.

"Guerra em grande escala": EUA bombardeiam Irã pela décima noite

O conflito entre Estados Unidos e Irã completou dez noites consecutivas de bombardeios nesta segunda-feira (20). Enquanto as forças americanas realizavam mais uma rodada de ataques, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reconheceu publicamente o que os fatos já indicavam: seu país está em guerra aberta.

A escalada avança apesar dos esforços diplomáticos. Mediadores apresentaram uma proposta de cessar-fogo de dez dias, mas nenhum dos lados a aceitou até agora.

O reconhecimento de Teerã

Em declaração feita na segunda-feira, Pezeshkian abandonou os eufemismos e pediu à população que se prepare para as consequências do conflito.

"A realidade é que hoje a República Islâmica do Irã está envolvida em uma guerra em grande escala. Precisamos ser realistas e aceitar as consequências naturais dessa resistência." — Masoud Pezeshkian, presidente do Irã

A fala marca uma mudança de tom. Até então, Teerã evitava a palavra "guerra", preferindo tratar os confrontos como retaliações pontuais. O reconhecimento oficial reflete a dimensão que o conflito assumiu desde o colapso do acordo firmado em junho.

Dez noites de bombardeios

Segundo o Comando Central americano (Centcom), os ataques miraram centros de comando militar, sistemas de defesa aérea, postos de vigilância costeira, capacidades marítimas, plataformas de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação. O objetivo declarado segue o mesmo: reduzir a capacidade iraniana de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.

As autoridades iranianas afirmam que, ao longo desses dez dias, os EUA atingiram 95 locais em 12 cidades. O Ministério da Saúde do Irã contabiliza cerca de 50 mortos desde o início desta fase da guerra. Os ataques se estenderam a áreas sensíveis, incluindo uma cidade que abriga uma usina nuclear e uma planta de dessalinização no sul do país — cujo dano, segundo autoridades locais, deixou 20 vilarejos sem água.

Soldados americanos mortos

O conflito também passou a cobrar vidas americanas. As forças armadas dos EUA confirmaram a morte de soldados naturais do Texas e do Havaí em ataques iranianos. A resposta de Donald Trump veio pelas redes sociais, em tom de advertência.

"Toda vez que o Irã matar um soldado americano, eles pagarão por essa morte muitas vezes mais." — Donald Trump, no Truth Social

Segundo o presidente, a diretriz foi transmitida a todos os comandantes militares. A morte dos militares tornou politicamente mais difícil qualquer recuo imediato de Washington.

A retaliação atinge os vizinhos

Como nas noites anteriores, o Irã revidou contra bases americanas em países aliados. O Kuwait afirmou ter interceptado alvos hostis duas vezes na segunda-feira. No Bahrein, as sirenes soaram cinco vezes ao longo do dia, e o Ministério das Relações Exteriores condenou ataques de drones contra sistemas de controle de tráfego aéreo, alertando que a ação põe em risco a aviação civil.

Na terça-feira, o Irã voltou a atacar um petroleiro no Estreito de Ormuz. E uma nova frente se abriu: os houthis, no Iêmen, declararam um bloqueio marítimo aos portos da Arábia Saudita, ampliando o risco para a infraestrutura energética do Golfo.

A proposta de trégua de dez dias

Em meio ao caos, a diplomacia tenta abrir espaço. Segundo a Reuters e a Axios, mediadores regionais — entre eles Catar, Egito e Paquistão — apresentaram a Washington e a Teerã uma proposta de cessar-fogo de dez dias.

O plano prevê a suspensão das hostilidades, a reabertura das rotas de navegação em Ormuz e uma janela para salvar o memorando de entendimento assinado em junho. "Dissemos aos EUA e ao Irã que propomos um período de resfriamento", afirmou uma das fontes regionais.

A Casa Branca, porém, esfriou as expectativas. "Neste momento, o presidente Trump está focado em fazer o Irã pagar por suas violações", declarou um funcionário americano. Nenhum dos lados aceitou a proposta, e ambos parecem determinados a melhorar sua posição de barganha antes de negociar.

O custo global do conflito

Os efeitos já ultrapassaram o Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina voltou a atingir US$ 4 por galão. A navegação comercial desviou rotas para evitar Ormuz e o Mar Vermelho, e voos foram cancelados em toda a região.

A ameaça mais grave, porém, ainda está sobre a mesa. Trump sugeriu a possibilidade de atacar a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, advertiu que uma ação assim teria "repercussões" — sem detalhar quais.

Entre a pressão e o abismo

O impasse atual tem uma lógica perversa. Cada lado acredita que mais uma noite de ataques pode melhorar sua posição na mesa de negociação. O resultado é um ciclo de retaliação que se torna mais mortal, mais caro e mais difícil de conter a cada rodada.

Dez noites de bombardeios não quebraram o controle iraniano sobre Ormuz, nem levaram Teerã a recuar. Com uma nova frente aberta no Mar Vermelho e soldados americanos entre as vítimas, a pergunta deixou de ser se haverá acordo — e passou a ser quanto tempo ainda resta antes que a escalada fuja completamente do controle.

Fontes: Associated Press, Reuters, CNN, Axios, CNBC e Centcom.

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