Irã ataca Israel e promete “semana de ataques” após bombardeio em Beirute
Irã lançou mísseis contra Israel após bombardeio israelense em Beirute, enquanto Trump tenta evitar nova escalada entre Teerã e Tel Aviv.
O Irã lançou mísseis contra Israel neste domingo, 7 de junho, no primeiro ataque direto iraniano contra território israelense desde o frágil cessar-fogo firmado em abril entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Segundo as Forças de Defesa de Israel, sirenes foram acionadas em várias regiões do país, enquanto sistemas de defesa aérea identificavam e interceptavam ameaças vindas do Irã.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, conhecida pela sigla IRGC, reivindicou o ataque e afirmou que a ofensiva não seria um episódio isolado, mas o início de uma semana de ataques com mísseis e drones.
A nova escalada coloca em risco o cessar-fogo de abril e reacende o temor de uma guerra direta entre Irã e Israel.
Irã promete ataques por sete dias
Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que suas unidades de mísseis e drones lançaram um ataque coordenado contra cidades do norte de Israel.
Segundo o IRGC, “ondas de mísseis e drones” continuariam sendo lançadas pelos próximos sete dias.
O grupo militar iraniano também afirmou que qualquer novo ataque contra o território do Irã seria respondido de forma “devastadora” e “além das expectativas”.
A declaração é uma tentativa clara de dissuasão. Teerã quer mostrar que qualquer nova ação israelense poderá ampliar o conflito para além de uma troca pontual de ataques.
Israel diz ter interceptado os mísseis
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram os mísseis lançados pelo Irã.
Segundo os militares israelenses, a Força Aérea continuava detectando e interceptando ameaças ao longo da noite, diante da possibilidade de novos lançamentos.
O porta-voz militar israelense, Effie Defrin, afirmou que o regime iraniano cometeu um “grave erro”. Já o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, declarou que Israel atacaria o inimigo com determinação caso recebesse ordem para isso.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de direita radical, adotou tom ainda mais duro ao afirmar que “Teerã deve queimar”.
O ataque começou em Beirute
A escalada teve início horas antes, quando Israel atingiu o sul de Beirute, capital do Líbano, no primeiro ataque israelense contra a cidade desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos na semana anterior.
Os bombardeios atingiram a região de Dahieh, reduto do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o ataque teve como alvo um quartel-general terrorista do Hezbollah e foi realizado em resposta a disparos contra território israelense.
O Hezbollah confirmou posteriormente ter disparado contra posições militares israelenses.
O Líbano voltou a ser o ponto de ignição de uma crise maior entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Por que o Líbano virou peça central
O Irã vinha alertando que novos ataques israelenses contra Beirute seriam tratados como violação grave do cessar-fogo regional.
Para Teerã, o Hezbollah não pode ser separado do acordo mais amplo em negociação com os Estados Unidos. A posição iraniana é que qualquer entendimento sobre a guerra precisa incluir também a frente libanesa.
Israel, por outro lado, afirma que não aceitará a presença militar do Hezbollah próxima à sua fronteira norte. Para o governo Netanyahu, o grupo representa uma ameaça direta à segurança israelense.
Esse impasse explica por que um ataque em Beirute pode rapidamente desencadear uma resposta iraniana contra Israel.
Trump tenta conter a retaliação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao Irã que retornasse à mesa de negociações após o lançamento dos mísseis.
Trump afirmou que o Irã já havia lançado seus mísseis e que agora deveria voltar a negociar.
Segundo relatos da imprensa americana e israelense, Trump também teria pedido a Netanyahu que não retaliassse imediatamente contra o Irã, para tentar preservar a possibilidade de um acordo regional.
Em entrevista ao Financial Times, Trump afirmou que Netanyahu não teria escolha senão aceitar qualquer acordo fechado pelos Estados Unidos com o Irã.
A mensagem americana é clara: Washington tenta evitar que o ciclo de retaliações enterre definitivamente as negociações.
Israel reage apesar do apelo americano
Apesar dos esforços de Trump para conter uma resposta imediata, relatos posteriores indicaram que Israel lançou ataques contra alvos militares no centro e no oeste do Irã no início da segunda-feira.
A televisão estatal iraniana relatou explosões em cidades como Teerã, Isfahan, Karaj e Tabriz. O Exército israelense afirmou ter atingido alvos militares ligados ao regime iraniano, mas não detalhou imediatamente os resultados.
Essa possível retaliação torna o cenário ainda mais perigoso, porque pode transformar uma troca limitada de ataques em uma nova rodada de guerra aberta.
Petróleo reage à escalada
A crise também teve impacto imediato nos mercados. Os preços do petróleo subiram nas negociações asiáticas após o ataque iraniano contra Israel.
O barril do Brent, referência global, voltou a se aproximar da marca de US$ 95, enquanto o WTI, negociado nos Estados Unidos, também avançou.
A reação dos investidores reflete o temor de que a guerra volte a afetar rotas de energia, infraestrutura petrolífera e a segurança do Golfo Pérsico.
O risco de colapso do cessar-fogo
O cessar-fogo de abril já era considerado frágil. Ele dependia não apenas de Irã e Israel, mas também do comportamento de aliados regionais, como Hezbollah no Líbano e grupos alinhados a Teerã no Oriente Médio.
Com o ataque israelense em Beirute, a resposta iraniana contra Israel e a possibilidade de retaliação israelense dentro do Irã, a trégua entra em sua fase mais crítica.
O problema é que cada frente está conectada. Um ataque no Líbano provoca resposta iraniana. Uma resposta iraniana pressiona Israel. Uma retaliação israelense pode obrigar Teerã a ampliar o conflito.
No Oriente Médio, o risco não está apenas em um grande plano de guerra, mas em uma sequência de retaliações que sai do controle.
O ataque iraniano contra Israel marca uma nova fase da crise no Oriente Médio. O Irã cumpriu a ameaça de responder ao bombardeio israelense em Beirute e afirmou que pode manter ataques por uma semana.
Israel, por sua vez, acusa Teerã de cometer um grave erro e mantém a possibilidade de resposta militar. Ao mesmo tempo, Trump tenta impedir que Netanyahu avance para uma retaliação maior, buscando preservar as negociações com o Irã.
O ponto central é que o Líbano voltou a determinar o ritmo da crise regional. Enquanto o Hezbollah continuar armado e Israel mantiver operações contra o grupo, qualquer cessar-fogo entre Irã, Israel e Estados Unidos continuará vulnerável.
O que acontece agora dependerá da resposta israelense, da disposição iraniana de continuar os ataques e da capacidade dos Estados Unidos de conter seus aliados e adversários ao mesmo tempo.
Por enquanto, a mensagem é clara: o cessar-fogo não acabou apenas por uma declaração formal, mas está sendo testado no campo de batalha, entre Beirute, Tel Aviv, Teerã e Washington.
Fonte: Reuters, Associated Press, The Guardian e Al Jazeera.