Irã ataca países do Golfo e fecha o Estreito de Ormuz
Irã ataca alvos americanos na Jordânia, Kuwait, Omã, Catar e Bahrein e fecha o Estreito de Ormuz após três noites de bombardeios dos EUA. Entenda a escalada.
A guerra entre Estados Unidos e Irã transbordou para toda a região neste domingo (12). Teerã lançou mísseis e drones contra alvos ligados aos americanos em vários países do Golfo Pérsico e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, em retaliação a uma nova onda de bombardeios americanos.
A escalada arrasta países que nada tinham a ver com o conflito direto. Jordânia, Kuwait, Omã, Catar e Bahrein foram atingidos ou tiveram suas defesas acionadas.
O que o Irã atacou
Em comunicado, a Guarda Revolucionária iraniana detalhou seus alvos. Segundo a força, foram destruídos um centro de comando e controle e hangares de drones MQ-9 na base aérea Príncipe Hassan, na Jordânia. No Kuwait, o alvo teria sido um sistema Patriot, um radar e um depósito de munições americanos.
Em Omã, o Irã afirma ter destruído centros de apoio logístico naval e instalações de reabastecimento de porta-aviões americanos no porto de Duqm. Já no Catar, teria atingido um centro de manutenção de jatos e uma instalação de comando. O Bahrein, sede da Quinta Frota americana, também acionou suas sirenes.
Os países do Golfo reagem
As defesas antiaéreas entraram em ação em vários pontos. Sobre Doha, jornalistas da AFP relataram interceptações iluminando o céu noturno, enquanto moradores recebiam alertas para permanecer em casa. O Catar confirmou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços.
A Jordânia informou ter abatido oito mísseis; o Kuwait, quatro mísseis e dez drones. Os Emirados Árabes emitiram alertas, mas depois confirmaram que as ameaças estavam fora de suas fronteiras. O Catar condenou os ataques e os classificou como uma "grave escalada", responsabilizando legalmente o Irã pelas consequências.
Três noites de bombardeios americanos
A ofensiva iraniana veio em resposta à terceira rodada de ataques dos EUA em uma semana. No sábado (11), o Comando Central americano (Centcom) afirmou ter atingido 140 alvos militares iranianos — de um total de mais de 300 ao longo de três noites.
O secretário de Defesa Pete Hegseth resumiu a postura de Washington em uma frase publicada na rede X: "O Irã fez uma má escolha. Agora está pagando o preço." A mídia estatal iraniana relatou explosões em Bandar Abbas, Sirik, Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão. Segundo as agências Mehr e Tasnim, um tenente da Marinha iraniana morreu no ataque ao porto de Jask.
Ormuz fechado e navios sob fogo
O epicentro da crise segue no mar. A Guarda Revolucionária afirmou ter disparado tiros de advertência contra embarcações que ignoraram as rotas autorizadas e anunciou o fechamento da passagem.
"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar." — Guarda Revolucionária do Irã
Segundo a agência britânica UKMTO, um navio foi atingido a cerca de 17 km da Península de Musandam, em Omã, provocando um incêndio a bordo. A tripulação do GFS Galaxy abandonou a embarcação em botes salva-vidas. Havia 11 indianos a bordo: dez foram resgatados e um segue desaparecido. O Centcom, por sua vez, afirma que navios comerciais continuam transitando pela via.
A diplomacia que não avança
O mais irônico é que os ataques ocorreram horas depois de negociações. No sábado, o chanceler iraniano Abbas Araghchi esteve em Omã para discutir a segurança da navegação em Ormuz, com participação de uma delegação do Catar.
Os dois lados concordaram em seguir conversando nos níveis político, técnico e jurídico. Mas o memorando de entendimento assinado em 17 de junho — que previa 60 dias para uma solução definitiva — está praticamente morto desde que Trump declarou o acordo "encerrado". O Paquistão, outro mediador, pediu moderação aos dois lados.
Um conflito que se alastra
A escalada tem também um componente pessoal. Neste sábado, após o funeral de seu pai e antecessor, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que a vingança é "inevitável". Do outro lado, Trump prometeu "dizimar e destruir" o Irã caso Teerã tente matá-lo.
Entre ameaças pessoais e mísseis reais, quem paga a conta são os vizinhos e os civis no mar. Com Ormuz fechado — via por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial —, o custo dessa guerra deixa de ser regional e passa a ser global.
Fontes: Al Jazeera, Middle East Eye, Centcom e UKMTO.