Irã negocia com Rússia novas unidades nucleares em Bushehr após ataques recentes
O Irã está negociando com a Rússia a construção e conclusão de novas unidades da usina nuclear de Bushehr, em meio a tensões recentes e ataques registrados na região. A informação.
O Irã está negociando com a Rússia a construção e conclusão de novas unidades da usina nuclear de Bushehr, em meio a tensões recentes e ataques registrados na região.
A informação foi confirmada pelo embaixador iraniano em Moscou, Kazem Jalali, em entrevista à agência estatal russa RIA Novosti.
Segundo ele, Teerã mantém contato constante com autoridades russas para acelerar o avanço das obras, que dependem diretamente da estatal nuclear Rosatom.
“Estamos constantemente em contato e esperamos que sejam criadas condições para que os funcionários da Rosatom possam realizar seu trabalho”, afirmou Jalali.
Projeto nuclear avança em meio a cessar-fogo
As negociações ocorrem enquanto um cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos já dura cerca de duas semanas.

O programa nuclear iraniano continua sendo um dos principais pontos de tensão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido que o Irã abandone completamente suas atividades nucleares como condição para encerrar o conflito.
A usina de Bushehr é o principal complexo nuclear em operação no país e depende da cooperação técnica russa para expansão e manutenção.
Ataques recentes aumentam risco na região
A área ao redor da usina de Bushehr tem sido alvo de ataques desde o início do conflito.
Autoridades iranianas acusam Israel e Estados Unidos de estarem por trás dos bombardeios mais recentes, que atingiram áreas próximas à instalação nuclear.
Segundo o governo iraniano, este já seria o quarto ataque registrado na região desde o início da guerra.
Um funcionário morreu, e a Rússia chegou a retirar cerca de 200 trabalhadores ligados às operações no local por questões de segurança.
Alerta internacional para risco nuclear
Em junho de 2025, a usina de Bushehr foi diretamente atingida, levantando preocupações internacionais sobre o risco de um acidente nuclear.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, alertou que o ataque poderia ter causado uma catástrofe.
Embora não tenham sido detectadas emissões de radiação, Grossi destacou que o perigo permanece e reforçou que instalações nucleares não devem ser alvos militares.
Estreito de Ormuz entra no cenário
Além da questão nuclear, o Irã também avalia medidas econômicas estratégicas.
Segundo Jalali, o país estuda a possibilidade de cobrar tarifas de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz.

Países considerados aliados, como a Rússia, poderiam receber isenções.
O estreito é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, o que torna qualquer medida na região relevante para o mercado global.
Tensão continua apesar das negociações
Mesmo com negociações em andamento e o cessar-fogo temporário, o cenário permanece instável.
O avanço do programa nuclear iraniano, somado aos ataques recentes e às disputas estratégicas na região, mantém o risco elevado e reforça a importância de acompanhamento contínuo da situação.