Vídeo: Israel bombardeia "fábrica de armas" do Hamas na Cidade de Gaza
Israel diz ter bombardeado uma fábrica de armas do Hamas na Cidade de Gaza. Fontes palestinas falam em oficina de metalurgia e relatam quatro mortos no ataque.
O exército israelense (FDI) anunciou neste domingo (12) ter bombardeado uma fábrica de armas do Hamas na Cidade de Gaza. Segundo os militares, o local era usado para fabricar componentes bélicos e foi atingido enquanto integrantes do grupo operavam em seu interior.
A versão palestina, porém, é diferente. Fontes locais e a agência AP descrevem o alvo como uma oficina de metalurgia no bairro de Sabra.
A versão israelense
De acordo com o porta-voz das FDI, integrantes do Hamas vinham trabalhando no local para "fabricar componentes de armas na tentativa de restaurar as capacidades do grupo" — o que Israel classifica como uma violação do acordo de cessar-fogo.
"A fábrica foi atingida enquanto vários terroristas do Hamas operavam dentro dela." — Comunicado das Forças de Defesa de Israel
Ainda segundo os militares, os operativos estariam preparando ataques contra tropas e civis israelenses. As FDI afirmaram que a operação faz parte dos esforços do Comando Sul para impedir a reconstrução do poder militar do Hamas.
The IDF says it bombed a Hamas weapons manufacturing site in Gaza City earlier today, while members of the terror group were operating there.
— Emanuel (Mannie) Fabian (@manniefabian) July 12, 2026
Recently, Hamas operatives worked the site to "manufacture weapon components in an attempt to restore the organization's capabilities,"… pic.twitter.com/hIIzN4Noxf
O relato palestino
A leitura em Gaza é outra. Segundo autoridades do hospital Shifa, um ataque de drone atingiu uma ferraria no bairro de Sabra, matando ao menos quatro palestinos e ferindo outros. Imagens divulgadas pela mídia palestina mostraram o momento do bombardeio e indicam que Israel emitiu um aviso prévio.
The Gazans were able to film the strike on the weapons production site after receiving a warning before the attack. pic.twitter.com/Q6FeD4WuaN
— Open Source Intel (@Osint613) July 12, 2026
Ao longo do dia, o total de mortos em Gaza chegou a seis, incluindo uma menina de 9 anos, atingida por disparos israelenses em um acampamento de tendas no campo de refugiados de Al-Bureij, no centro do território. Sobre esse caso, os militares afirmaram não ter conhecimento do incidente.
Um cessar-fogo que nunca parou de sangrar
O ataque expõe a fragilidade da trégua mediada pelos Estados Unidos, em vigor desde 10 de outubro de 2025. Os bombardeios israelenses diminuíram bastante desde então, mas continuam quase diários.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, ao menos 1.098 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo, entre eles cerca de 260 crianças. No mesmo período, cinco soldados israelenses morreram. Os números do ministério, ligado ao Hamas, não distinguem civis de combatentes — mas são considerados amplamente confiáveis por agências da ONU, e o próprio exército israelense reconhece que os dados gerais são majoritariamente corretos.
O impasse do desarmamento
No centro da crise está a segunda fase do acordo, que segue travada. O ponto mais sensível é o desarmamento completo do Hamas, previsto no plano americano mas rejeitado por lideranças do grupo, como Khaled Mashaal e Musa Abu Marzouk — apesar de terem aceitado a proposta em outubro.
Israel argumenta que qualquer tentativa de fabricar armas é, por si só, uma violação. O Hamas, por sua vez, resiste a entregar o arsenal sem garantias sobre o futuro de Gaza. Enquanto isso, a reconstrução não avança.
Duas narrativas, uma realidade
O episódio de domingo resume o dilema do pós-guerra. Para Israel, cada oficina é uma fábrica de armas em potencial. Para os palestinos, cada bombardeio atinge um bairro onde ainda vivem civis.
Sem uma verificação independente no terreno, as duas versões seguem em disputa. O que não está em disputa é o número: mais de 2 milhões de pessoas continuam deslocadas em Gaza, muitas em acampamentos precários ou entre ruínas — reféns de um cessar-fogo que existe no papel, mas não silenciou os céus.
Fontes: Forças de Defesa de Israel, Associated Press, The Times of Israel, Ministério da Saúde de Gaza e AFP.