Israel diz ter matado novo chefe militar do Hamas em Gaza
Israel afirma ter matado Mohammad Odeh, apontado como novo chefe militar do Hamas em Gaza, enquanto operações também deixam mortos em Jenin e no Líbano.
Israel afirmou nesta quarta-feira que matou Mohammad Odeh, apontado por autoridades israelenses como o novo chefe do braço armado do Hamas em Gaza.
Segundo o governo israelense, Odeh foi alvo de um ataque realizado no dia anterior na Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo que, ao menos formalmente, está em vigor desde outubro.
A morte atribuída a Odeh representa mais uma tentativa de Israel de atingir a cadeia de comando militar do Hamas.
Israel anuncia morte de comandante do Hamas
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em publicação na rede social X que o comandante do braço armado do Hamas em Gaza foi “eliminado”.
🔴ELIMINATED: Mohammed Odeh - Head of Hamas’ Military Wing in a strike in northern Gaza.
— Israel Defense Forces (@IDF) May 27, 2026
Odeh served as the Head of Hamas’ military wing following the elimination of Izz al-Din al-Haddad. As part of his role, he was responsible for planning and coordinating Hamas terrorists’… pic.twitter.com/y1Z7eUaUMd
Katz e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, já haviam informado que o Exército israelense realizou um ataque em Gaza com o objetivo de atingir Mohammad Odeh, também identificado em algumas transliterações como Mohammed Oteh.
Segundo Israel Katz, o comandante do ramo armado do Hamas em Gaza foi morto em uma operação israelense.
Até o momento, o Hamas não confirmou oficialmente a morte de Odeh nem comentou a afirmação israelense sobre sua posição dentro da estrutura militar do grupo.
Quem era Mohammad Odeh, segundo Israel
De acordo com autoridades israelenses, Mohammad Odeh teria assumido uma posição de liderança nas Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas, após a morte de outros comandantes do grupo em ataques anteriores.
Israel também associa Odeh a estruturas de inteligência do Hamas e ao planejamento de operações contra alvos israelenses. Essas acusações fazem parte da justificativa apresentada por Tel Aviv para manter ataques seletivos contra lideranças do grupo, mesmo durante períodos de trégua parcial.
Para Israel, atingir nomes de comando do Hamas é uma forma de degradar a capacidade militar da organização. Para os palestinos, esse tipo de ataque mantém Gaza sob tensão constante e dificulta a consolidação de qualquer cessar-fogo duradouro.
Cessar-fogo segue sob pressão em Gaza
O ataque reacende dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo em Gaza. Embora o acordo tenha reduzido parte da intensidade dos combates, Israel afirma manter o direito de agir contra ameaças específicas do Hamas.
Na prática, isso cria uma situação ambígua: existe uma trégua formal, mas operações militares continuam ocorrendo quando Israel identifica alvos considerados prioritários.
O caso mostra que o cessar-fogo em Gaza permanece frágil e sujeito a novas escaladas.
Palestino é morto no campo de Jenin
A tensão também aumentou na Cisjordânia. Segundo o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina, soldados israelenses mataram um palestino no campo de refugiados de Jenin, no norte do território ocupado.
O ministério informou que o homem foi morto por disparos israelenses dentro do campo e que seu corpo foi levado para um hospital local.
O Exército israelense apresentou outra versão. Segundo os militares, soldados identificaram um homem que estaria jogando pedras contra a tropa. De acordo com Israel, foi iniciado um procedimento de prisão, durante o qual os soldados dispararam para “neutralizar a ameaça”.
O episódio em Jenin mostra como a Cisjordânia continua sendo uma frente permanente de tensão entre forças israelenses e palestinos.
Ataques israelenses deixam dezenas de mortos no Líbano
Ao mesmo tempo, a frente libanesa também registrou forte escalada. O governo do Líbano afirmou que ataques israelenses no sul do país mataram 31 pessoas e deixaram dezenas de feridos.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, entre os mortos estavam crianças e mulheres. Parte das vítimas foi registrada em Burj al-Samali, área próxima à cidade de Tiro, no sul do Líbano.
Israel afirma que suas operações têm como alvo estruturas e membros do Hezbollah, grupo xiita libanês aliado do Irã. Já autoridades libanesas acusam Israel de ampliar ataques mesmo com um cessar-fogo teórico em vigor desde meados de abril.
Hezbollah segue no centro da frente norte
O Hezbollah continua sendo um dos principais pontos de pressão para Israel no norte. Desde o início da guerra em Gaza, o grupo libanês e as forças israelenses vêm trocando ataques em uma fronteira altamente sensível.
Mesmo quando há anúncios de trégua ou redução de intensidade, a frente do Líbano permanece instável. Israel tenta impedir que o Hezbollah mantenha capacidade de ataque próxima à sua fronteira, enquanto o grupo busca mostrar que ainda possui capacidade de resposta.
O resultado é um cenário de conflito de baixa ou média intensidade, mas com risco constante de expansão.
Três frentes, uma mesma crise regional
Os acontecimentos em Gaza, Jenin e no sul do Líbano mostram como a crise envolvendo Israel não está limitada a um único território.
Em Gaza, o foco está na tentativa israelense de atingir a estrutura militar do Hamas. Na Cisjordânia, operações de segurança e confrontos locais mantêm o ambiente em permanente tensão. No Líbano, o Hezbollah continua como peça central da disputa entre Israel e o eixo apoiado pelo Irã.
Essa sobreposição de frentes dificulta qualquer estabilização. Mesmo quando um cessar-fogo é anunciado em uma área, outra frente pode reacender o conflito e pressionar toda a região.
A afirmação de Israel de que matou Mohammad Odeh, apontado como novo chefe militar do Hamas em Gaza, representa mais um capítulo da campanha israelense contra lideranças do grupo palestino.
Ao mesmo tempo, a morte de um palestino em Jenin e os ataques no sul do Líbano mostram que a crise regional segue espalhada por diferentes frentes.
O ponto central é que os cessar-fogos existentes permanecem frágeis. Israel continua alegando direito de atacar alvos considerados ameaças, enquanto Hamas, Hezbollah e autoridades palestinas acusam Tel Aviv de manter operações que alimentam a instabilidade.
No cenário atual, cada ataque localizado pode ter efeito maior do que aparenta. Gaza, Cisjordânia e Líbano seguem conectados por uma mesma dinâmica de guerra, pressão militar e disputa política no Oriente Médio.
Fonte: Reuters, Associated Press e AFP.