Israel e Hezbollah concordam com cessar-fogo no Líbano, diz Reuters
Israel e Hezbollah concordaram com um cessar-fogo no Líbano, segundo a Reuters, após nova escalada de ataques e mediação dos EUA, Catar e Irã.
Israel e Hezbollah concordaram com um cessar-fogo no Líbano, segundo informou a agência Reuters, citando um alto funcionário dos Estados Unidos.
De acordo com o relato, a trégua deveria entrar em vigor nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, às 16h no horário local libanês.
O acordo ocorre após uma nova escalada de ataques no sul do Líbano, que colocou em risco o esforço diplomático mais amplo entre Estados Unidos e Irã para reduzir a tensão no Oriente Médio.
Mediação envolveu EUA, Catar e Irã
Segundo o funcionário americano citado pela Reuters, negociadores dos Estados Unidos e do Catar chegaram ao entendimento com apoio do Irã, principal aliado regional do Hezbollah.
“Hezbollah e Israel concordaram com um cessar-fogo”, disse o oficial à agência.
Ele acrescentou que, após a troca de tiros registrada mais cedo, Washington entendia que os dois lados já estavam dentro de um regime de cessar-fogo.
A trégua no Líbano é vista como peça importante para sustentar o memorando entre Estados Unidos e Irã, que prevê o fim das operações militares em diferentes frentes da região.
Escalada deixou mortos dos dois lados
A nova trégua foi anunciada depois de dias de forte tensão no sul do Líbano.
Segundo a Reuters, ataques israelenses mataram dezenas de pessoas no território libanês durante a recente escalada. Do lado israelense, quatro soldados das FDI morreram em um ataque atribuído ao Hezbollah.
O episódio reacendeu dúvidas sobre a capacidade de manter um cessar-fogo estável, especialmente porque Israel afirma que continuará defendendo suas tropas e comunidades no norte do país.
Israel deve manter tropas no sul do Líbano
Apesar do cessar-fogo, autoridades israelenses indicaram que as tropas das Forças de Defesa de Israel devem permanecer na zona de segurança no sul do Líbano.
Uma fonte israelense confirmou à mídia hebraica que a trégua entrou em vigor, mas afirmou que Israel manterá suas posições e responderá caso o Hezbollah volte a atacar.
Mais cedo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Israel Katz defenderam a permanência israelense na área pelo tempo considerado necessário para proteger o norte de Israel.
Esse ponto pode ser o maior obstáculo para uma trégua duradoura: o Hezbollah rejeita a presença militar israelense em território libanês, enquanto Israel afirma que a zona de segurança é necessária para impedir novos ataques.
Ligação com o acordo EUA-Irã
O cessar-fogo também está ligado ao memorando de entendimento assinado entre Estados Unidos e Irã.
O documento de 14 pontos prevê o fim das operações militares em diferentes frentes, incluindo o Líbano, como parte de uma tentativa mais ampla de estabilizar o Oriente Médio após meses de guerra.
A violência recente no sul do Líbano chegou a afetar a agenda diplomática entre Washington e Teerã, incluindo negociações previstas na Suíça para avançar na implementação do acordo.
Para o Irã, a frente libanesa é parte central do equilíbrio regional. Para os Estados Unidos, conter a escalada entre Israel e Hezbollah é essencial para evitar que o acordo com Teerã perca força antes mesmo de sua fase de implementação.
O que está em jogo agora
O cessar-fogo anunciado representa uma tentativa de conter uma das frentes mais perigosas do conflito regional.
Na prática, porém, a trégua ainda depende de fatores sensíveis: a postura do Hezbollah, a permanência de tropas israelenses no sul do Líbano, a fiscalização do acordo e a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Se a trégua se mantiver, ela pode abrir espaço para uma redução maior da tensão no Oriente Médio. Se fracassar, o Líbano pode voltar a ser o ponto de ruptura de um acordo regional ainda frágil.
Por enquanto, o cessar-fogo é um sinal importante de desescalada, mas não resolve a disputa principal: quem controlará a segurança no sul do Líbano e sob quais garantias.
Fonte: Reuters, Times of Israel, Associated Press e The Guardian.