Israel prepara operação em grande escala na Cisjordânia após confronto

Por Cenas de Combate

Israel anuncia operação em grande escala na Cisjordânia após confronto em Tell que matou um israelense e quatro palestinos. Vídeo contradiz a versão militar.

Israel prepara operação em grande escala na Cisjordânia após confronto

O exército israelense (FDI) anunciou nesta sexta-feira (24) que se prepara para uma operação antiterrorista em grande escala na Cisjordânia ocupada. A decisão veio após um confronto mortal na vila de Tell, a sudoeste de Nablus, que deixou um israelense e quatro palestinos mortos.

As circunstâncias do episódio, porém, são profundamente disputadas. Um vídeo confirmado pelo próprio exército israelense mostra soldados atirando em palestinos que já estavam caídos no chão.

O que aconteceu em Tell

O confronto começou na manhã de sexta-feira. Segundo relatos da imprensa israelense e de autoridades palestinas locais, um grupo de colonos entrou na vila de Tell e foi confrontado por moradores, temerosos de um ataque, perto da mesquita local.

Durante o tumulto, um palestino tomou a arma de um guarda de segurança de um assentamento vizinho e abriu fogo, matando Benayahu Mellet, de 32 anos, e ferindo pelo menos quatro israelenses. Em seguida, as forças israelenses mataram quatro palestinos — todos da mesma família, os Ramadan.

O vídeo que contradiz a versão oficial

A versão das FDI é de que o soldado atirou no homem armado que havia tomado a arma. Mas as imagens divulgadas complicam esse relato.

O vídeo, com menos de um minuto e confirmado pelos próprios militares, mostra forças israelenses disparando contra um grupo de palestinos que já estava no chão, no mesmo campo. Mais de uma dezena de tiros pode ser ouvida. O exército afirmou que o suspeito estava entre os mortos, mas não respondeu por que os outros homens — todos parentes — foram mortos, nem quanto tempo depois do confronto inicial isso ocorreu.

Duas versões opostas

As narrativas dos dois lados são irreconciliáveis. Para Israel, o episódio foi um ataque terrorista que exige resposta dura.

"Responderemos com força contra os terroristas e contra aqueles que os enviaram." — Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel

Já o Ministério da Saúde palestino afirma que os quatro mortos — Farouk, Ibrahim, Jawad e Imran Ramadan — foram vítimas de uma agressão de colonos, protegidos pelo exército, que teriam atacado casas e terras agrícolas na vila antes do agravamento do confronto.

A resposta militar israelense

A reação de Israel foi imediata e ampla. O chefe do Estado-Maior, general Eyal Zamir, ordenou o envio de mais tropas à Cisjordânia. Soldados cercaram Tell e a vizinha Nablus, fechando entradas com barreiras de terra e blocos de concreto.

Como parte da resposta, as FDI revogaram licenças de soldados em todo o país e reposicionaram forças na região. Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram ainda um pacote de medidas: a demolição da casa do autor dos disparos, a revogação de permissões de trabalho para palestinos, novas operações de coleta de armas em vilas consideradas "focos de terror" e a criação de novos assentamentos.

Um contexto já inflamado

O episódio não ocorreu no vácuo. Ele veio um dia após dois ataques a faca contra israelenses na Cisjordânia, o que elevou a tensão na véspera. A violência entre colonos, palestinos e o exército vem se intensificando no território ocupado, em paralelo à guerra em Gaza e ao conflito com o Irã.

Vozes da extrema-direita israelense aproveitaram o momento para endurecer o discurso. O ministro Itamar Ben Gvir chegou a pedir a destruição de cidades da Cisjordânia e o confisco de suas terras, em um modelo semelhante ao aplicado em Gaza.

O risco do ciclo de violência

A anunciada operação de grande escala coloca uma questão incômoda. Historicamente, incursões militares amplas na Cisjordânia tendem menos a conter a violência e mais a alimentar novos ciclos de retaliação entre as comunidades.

Com versões irreconciliáveis sobre o que de fato ocorreu em Tell, e um vídeo que lança dúvidas sobre a conduta das tropas, o episódio corre o risco de aprofundar ainda mais o abismo. Enquanto Israel promete agir "com força", as famílias Ramadan enterram seus mortos — e a Cisjordânia se prepara para dias ainda mais tensos.

Fontes: Associated Press, The Washington Post, The Times of Israel, Haaretz e Ministério da Saúde palestino.

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