Moscou ataca Kiev por 11 horas; Zelensky cobra os aliados

Por Cenas de Combate

Moscou ataca Kiev por 11 horas e deixa 21 mortos. Zelensky cobra os aliados por sistemas antiaéreos prometidos, enquanto o Kremlin promete mais pressão.

Moscou ataca Kiev por 11 horas; Zelensky cobra os aliados

O número de mortos no ataque russo contra Kiev não para de subir. O bombardeio da madrugada desta quinta-feira (2) já deixou pelo menos 21 mortos e 85 feridos, no pior ataque já registrado contra a capital ucraniana, segundo seu prefeito. Enquanto as buscas continuam, o presidente Volodymyr Zelensky prometeu "responder" — e dirigiu duras críticas aos aliados do país.

Do outro lado, o Kremlin não deu sinais de recuo. Moscou afirmou que vai continuar a "aumentar a pressão" sobre a Ucrânia até alcançar seus objetivos. Quase quatro anos e meio após a invasão, os ataques massivos seguem quase diários.

Uma cidade em chamas

Na noite de quarta para quinta, a Ucrânia foi atingida por 496 drones e 74 mísseis de vários tipos. Segundo a defesa aérea, 476 drones e 48 mísseis foram interceptados. O maior golpe, porém, recaiu sobre Kiev. Jornalistas da AFP relataram explosões por horas, com o alerta aéreo durando mais de 11 horas.

O porta-voz da Força Aérea, Yuri Ihnat, afirmou que o número de mísseis balísticos foi incomumente alto e a taxa de interceptação, baixa. A Ucrânia enfrenta escassez de sistemas Patriot há meses.

Resgate sob os escombros

Cerca de 130 edifícios foram danificados. Partes de prédios residenciais simplesmente desapareceram. Um prédio que abrigava ambulâncias foi atingido, assim como uma área onde vivem membros da equipe diplomática da União Europeia, segundo Katarina Mathernova, embaixadora do bloco na Ucrânia.

As equipes de resgate seguem trabalhando entre os destroços em busca de sobreviventes. O próprio Zelensky acompanhou de perto a resposta à tragédia.

Zelensky cobra os aliados

De volta ao país depois de interromper às pressas uma visita à Irlanda, Zelensky visitou um prédio de nove andares parcialmente destruído. Cansado e visivelmente abalado, ele responsabilizou os aliados por ainda não terem entregue os sistemas antiaéreos prometidos.

"Se nossos parceiros tivessem cumprido suas promessas a tempo, acho que teríamos salvado mais casas e vidas hoje. Tudo o que pedimos é apenas que façam o que combinamos. Não estamos pedindo mais." — Volodymyr Zelensky

A versão de Moscou

O Ministério da Defesa russo afirmou, no Telegram, que o "ataque massivo" com mísseis de precisão e drones mirou instalações militares e energéticas, além de aeródromos em Kiev e outras regiões. Moscou classificou a ofensiva como uma retaliação aos ataques de drones ucranianos.

Na mesma noite, Kiev afirmou ter atingido uma refinaria na região russa de Nizhny Novgorod, onde o governador relatou uma morte. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comandantes militares informaram Putin sobre os ataques, e Moscou pretende manter a pressão sobre a Ucrânia.

Ajuda humanitária e ciência entre os alvos

O rastro de destruição atingiu também alvos civis sensíveis. Um depósito da Cruz Vermelha ucraniana com ajuda humanitária foi destruído. A organização estimou o prejuízo em mais de 1,5 milhão de euros.

Entre os prédios danificados estava ainda o Instituto Nacional de Bioquímica. O biólogo Yuri Danilovich classificou o episódio como um desastre para a ciência médica e biológica do país, lembrando que o laboratório já operava com equipamentos escassos.

Sem sinal de trégua

O ataque desta quinta-feira resume o momento mais sombrio da guerra: enquanto a diplomacia segue travada, o Kremlin promete intensificar a ofensiva e Kiev clama por defesas que não chegam no ritmo prometido.

No meio dessa disputa, quem paga o preço mais alto é a população civil. E, com o balanço de vítimas ainda em aberto, o número de mortos deve continuar subindo nas próximas horas.

Fontes: Reuters, AFP, Cruz Vermelha Ucraniana, Força Aérea Ucraniana e Ministério da Defesa da Rússia.

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