Neste dia na história: a Alemanha nazista se rendia oficialmente

Por Cenas de Combate

Em 8 de maio de 1945, a Alemanha nazista assinou sua rendição definitiva, encerrando a Segunda Guerra Mundial na Europa.

Neste dia na história: a Alemanha nazista se rendia oficialmente

Em 8 de maio de 1945, a Alemanha nazista assinou sua rendição definitiva. Berlim havia caído, Adolf Hitler estava morto e o Terceiro Reich, que prometia durar mil anos, chegava ao fim após pouco mais de uma década no poder.

Para o Ocidente, aquele dia ficou conhecido como V-E Day, o Dia da Vitória na Europa. Para Moscou, por causa do fuso horário, já era 9 de maio. A guerra terminava no continente europeu, mas o mundo que emergia dos escombros jamais voltaria a ser o mesmo.

Há 81 anos, a rendição alemã encerrava a guerra na Europa e marcava o colapso final do regime nazista.

A primeira assinatura em Reims

A rendição alemã ocorreu em dois momentos. A primeira assinatura foi realizada em 7 de maio de 1945, em Reims, na França, no quartel-general do comando aliado ocidental. O general Alfred Jodl, representando o alto comando alemão, assinou a capitulação diante dos Aliados.

O documento previa que todas as forças alemãs deveriam cessar as operações militares às 23h01 de 8 de maio, no horário da Europa Central. Na prática, isso significava o fim da guerra na Europa após quase seis anos de conflito.

A assinatura em Reims tinha valor militar, mas não satisfez plenamente a União Soviética. Para Moscou, que havia suportado o peso mais sangrento da guerra contra a Alemanha no leste, a rendição precisava ser formalizada também diante do comando soviético, na própria capital alemã derrotada.

A cerimônia decisiva em Berlim

Por exigência soviética, uma nova cerimônia foi organizada em Berlim, no bairro de Karlshorst. Na noite de 8 de maio de 1945, o marechal Wilhelm Keitel, chefe do Alto Comando das Forças Armadas alemãs, assinou o ato final de rendição.

Dessa vez, a capitulação foi feita diante de representantes soviéticos, britânicos, americanos e franceses. O marechal Georgy Zhukov, um dos principais comandantes do Exército Vermelho, representou a União Soviética na cerimônia.

A assinatura em Berlim consolidou juridicamente o colapso militar da Alemanha nazista.

O local da cerimônia tinha forte simbolismo. A Alemanha não apenas aceitava a derrota; fazia isso dentro de Berlim, cidade que havia sido o coração político do regime nazista e que agora estava ocupada pelo Exército Vermelho.

8 de maio no Ocidente, 9 de maio em Moscou

A diferença entre as datas comemoradas no Ocidente e na Rússia vem do fuso horário. Quando a rendição entrou em vigor na Europa Central, às 23h01 de 8 de maio, já era madrugada de 9 de maio em Moscou.

Por isso, países como Reino Unido, França e Estados Unidos celebram o Dia da Vitória na Europa em 8 de maio. Já a Rússia e várias ex-repúblicas soviéticas marcam a vitória em 9 de maio, data que se tornou uma das mais importantes do calendário russo.

Essa diferença também reflete memórias distintas da guerra. No Ocidente, o V-E Day simboliza o fim da luta contra a Alemanha nazista na Europa. Para os soviéticos, a chamada Grande Guerra Patriótica representou uma experiência de destruição em escala gigantesca, com cidades devastadas e dezenas de milhões de mortos.

O colapso final do Terceiro Reich

A rendição veio poucos dias depois do suicídio de Adolf Hitler, em 30 de abril de 1945, no bunker da Chancelaria em Berlim. A capital alemã estava cercada, destruída e sob ataque direto do Exército Vermelho.

Após a morte de Hitler, o almirante Karl Dönitz assumiu a liderança de um governo alemão já sem capacidade real de alterar o curso da guerra. A prioridade do comando alemão passou a ser tentar render o máximo possível de tropas aos Aliados Ocidentais, evitando que fossem capturadas pelos soviéticos.

Mas a exigência aliada era clara: rendição incondicional. Não haveria negociação política para preservar o regime, suas forças armadas ou suas estruturas de poder. O Terceiro Reich estava derrotado em todas as frentes.

A guerra acabou na Europa, não no mundo

A rendição alemã encerrou a Segunda Guerra Mundial na Europa, mas não terminou o conflito global. No Pacífico, o Japão ainda continuava lutando contra os Estados Unidos, o Reino Unido, a China e outros Aliados.

A guerra só chegaria ao fim de forma definitiva em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assinou sua rendição a bordo do encouraçado americano USS Missouri, na Baía de Tóquio. Entre maio e setembro, o mundo ainda veria os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki e a entrada soviética na guerra contra o Japão.

Mesmo assim, 8 de maio permaneceu como uma das datas mais simbólicas do século XX. Foi o dia em que a máquina militar nazista finalmente parou na Europa.

Um novo mundo depois da vitória

O fim da guerra na Europa abriu uma nova fase da história mundial. A Alemanha foi ocupada e dividida entre as potências vencedoras. Julgamentos foram organizados para responsabilizar líderes nazistas. Milhões de deslocados tentavam voltar para casa, enquanto cidades inteiras precisavam ser reconstruídas.

Ao mesmo tempo, a aliança entre Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética começava a dar lugar a uma nova rivalidade. A Guerra Fria nasceria justamente dos escombros da vitória contra o nazismo, dividindo a Europa em blocos e transformando antigos aliados em adversários estratégicos.

A vitória de maio de 1945 encerrou uma guerra, mas também abriu a disputa que moldaria a segunda metade do século XX.

O 8 de maio permanece como uma data de vitória, memória e advertência. Vitória contra um regime que levou a Europa à destruição. Memória dos milhões que morreram nos campos de batalha, nos bombardeios, na ocupação e no Holocausto. Advertência sobre o custo humano de ideologias totalitárias, guerras de conquista e culto à violência política.

Há 81 anos, a Alemanha nazista se rendia. A Europa respirava depois de anos de guerra. Mas a paz que nascia naquele momento vinha carregada de ruínas, traumas e novas tensões. O mundo havia vencido o nazismo, mas ainda teria de aprender a viver com as consequências da vitória.

Fonte: Imperial War Museums, National WWII Museum e Encyclopaedia Britannica.

Pesquisa e Edição: Cenas de Combate
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