Netanyahu diz que Israel expande o controle sobre Gaza
Netanyahu afirma que Israel controla 60% de Gaza, promete avançar contra o Hamas e diz que alertou sobre drones anos atrás.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que Israel já controla cerca de 60% da Faixa de Gaza e indicou que a operação militar ainda pode avançar dentro do território palestino. A declaração reforça que, mesmo após meses de guerra e negociações interrompidas, o governo israelense mantém como objetivo ampliar a pressão sobre o Hamas e impedir que Gaza volte a representar ameaça direta a Israel.
A fala ocorreu durante a reunião semanal de gabinete e veio acompanhada de outro tema sensível: a ameaça crescente dos drones, especialmente no norte de Israel e no sul do Líbano, onde o Hezbollah tem utilizado veículos aéreos não tripulados em ataques contra forças israelenses.
Ao mesmo tempo, Netanyahu também se preparava para uma nova conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio às tensões envolvendo Irã, China e o futuro da segurança regional no Oriente Médio.
Israel amplia controle sobre Gaza
Segundo Netanyahu, Israel já não controla apenas metade da Faixa de Gaza. O primeiro-ministro afirmou que as forças israelenses passaram a controlar cerca de 60% do território, consolidando uma presença militar ampliada dentro do enclave.
Essa expansão ocorre em áreas marcadas por zonas restritas, corredores militares e faixas de segurança estabelecidas após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Na prática, isso significa que grande parte de Gaza continua sob presença ou influência militar israelense, enquanto a população civil permanece pressionada em áreas cada vez mais limitadas.
A declaração de Netanyahu mostra que Israel não trata Gaza apenas como frente de combate, mas como espaço estratégico de controle militar prolongado.
O objetivo declarado contra o Hamas
Netanyahu afirmou que a missão israelense em Gaza continua sendo garantir que o território não volte a representar ameaça para Israel. Segundo ele, o governo está reforçando o controle sobre o Hamas e avançando na eliminação dos responsáveis pelos ataques de 7 de outubro de 2023.
A fala ocorre após Israel anunciar a morte de Izz al-Din al-Haddad, apontado como chefe da ala militar do Hamas e um dos nomes ligados ao planejamento dos ataques contra Israel. Para Netanyahu, a eliminação de comandantes do grupo faz parte de uma promessa assumida desde o início da guerra: alcançar os responsáveis pelo massacre e pelos sequestros.
No entanto, a ampliação do controle territorial em Gaza também aumenta a pressão internacional sobre Israel, especialmente diante da crise humanitária, dos deslocamentos internos e da dificuldade de definir um plano político para o futuro do enclave.
A ameaça dos drones entra no centro do debate
Além de Gaza, Netanyahu também tentou responder às críticas sobre a preparação israelense diante da ameaça dos drones. Segundo ele, há seis anos, em uma reunião de gabinete, já havia alertado para o risco representado por esse tipo de tecnologia.
O tema ganhou força após ataques recentes atribuídos ao Hezbollah no sul do Líbano, incluindo ações com drones contra militares israelenses. Para o primeiro-ministro, a ameaça evoluiu desde então e passou de uma ferramenta de ataque pontual para um recurso cada vez mais importante no campo de batalha moderno.
Netanyahu afirmou que, desde o início da guerra, e especialmente após observar o conflito na Ucrânia, passou a enxergar os drones como instrumentos decisivos também para o cenário israelense.
Israel busca resposta para drones de fibra óptica
Um dos pontos citados por Netanyahu foi a criação de uma força-tarefa para lidar com a ameaça dos drones guiados por fibra óptica utilizados pelo Hezbollah. Esse tipo de equipamento preocupa porque pode reduzir a eficácia de sistemas tradicionais de interferência eletrônica, já que não depende da mesma forma de sinais de rádio convencionais.
Segundo o primeiro-ministro, a equipe já se reuniu várias vezes nas últimas semanas e recebeu liberdade orçamentária para buscar soluções. Netanyahu afirmou que não haverá limite de recursos para enfrentar essa ameaça e que Israel pretende encontrar uma resposta abrangente para o problema.
“Custe o que custar, custa.”
A frase resume o grau de prioridade dado ao tema. Em conflitos recentes, drones baratos, adaptáveis e difíceis de detectar passaram a desafiar exércitos com equipamentos muito mais caros e sofisticados.
Gaza, Líbano e Irã no mesmo tabuleiro
A reunião de gabinete também ocorreu em um momento de atenção elevada sobre o Irã. Netanyahu afirmou que Israel está acompanhando de perto a situação iraniana e que conversaria com Trump para ouvir impressões da viagem do presidente americano à China e discutir outros temas de segurança.
Nos bastidores, Israel acompanha tanto o impasse com o Irã quanto o risco de uma escalada envolvendo seus aliados regionais, especialmente o Hezbollah. Isso coloca Gaza, Líbano e Irã dentro de um mesmo quadro estratégico, no qual cada frente pode influenciar as decisões militares e diplomáticas das demais.
Por isso, a fala de Netanyahu não deve ser lida apenas como uma atualização sobre Gaza. Ela faz parte de uma mensagem mais ampla: Israel pretende manter pressão militar em múltiplas frentes e se preparar para ameaças que vão desde túneis e foguetes até drones e sistemas mais complexos.
O que está em jogo agora
A declaração de Netanyahu reforça que Israel vê a guerra em Gaza como uma campanha ainda em andamento, mesmo com períodos de cessar-fogo e negociações indiretas. O controle de 60% do território indica uma estratégia de presença prolongada, pressão militar e redução da capacidade operacional do Hamas.
Ao mesmo tempo, o debate sobre drones mostra que o campo de batalha está mudando rapidamente. A guerra moderna já não depende apenas de tanques, caças e mísseis. Pequenos sistemas aéreos, muitas vezes de baixo custo, podem causar perdas, expor vulnerabilidades e obrigar grandes exércitos a redesenhar sua defesa.
No fim, Netanyahu tenta transmitir duas mensagens ao mesmo tempo: em Gaza, Israel pretende continuar avançando até considerar a ameaça do Hamas neutralizada; no norte, o país busca resposta para uma tecnologia que já se tornou uma das principais marcas das guerras atuais.
A questão é que cada avanço militar também aumenta o peso político da guerra. Quanto mais Israel amplia seu controle sobre Gaza e quanto mais o conflito se conecta ao Líbano e ao Irã, maior se torna o risco de que uma guerra local continue se transformando em uma crise regional de longo alcance.
Fonte: Reuters, Times of Israel, Jerusalem Post e Ynet.