Rússia lança ataque de 11 horas contra Kiev com 74 mísseis e 500 drones
Rússia bombardeia Kiev por 11 horas com mísseis e drones, atinge todos os distritos e deixa ao menos 18 mortos e 90 feridos no ataque mais mortal do ano.
A Rússia lançou na madrugada desta quinta-feira (2) um dos ataques mais devastadores da guerra contra Kiev. Por cerca de 11 horas, a capital ucraniana foi atingida por mísseis balísticos, de cruzeiro e drones, em uma ofensiva que deixou ao menos 18 mortos e 90 feridos, segundo as autoridades locais.
O balanço, porém, é parcial. As equipes de resgate seguem trabalhando sob os escombros, e relatos mais recentes já apontam mais de 20 vítimas fatais. Foi o ataque mais mortal contra Kiev desde maio e a maior destruição registrada na cidade neste ano.
Todos os distritos atingidos
Descrito pelas autoridades como um "furioso ataque inimigo", o bombardeio afetou os 10 distritos da capital, nos dois lados do rio Dnipro. Ao todo, a Rússia lançou 74 mísseis e 496 drones durante a madrugada, informou a Força Aérea Ucraniana.
O porta-voz da força aérea, Yuri Ihnat, destacou um dado alarmante: o número de mísseis balísticos foi incomumente alto e a taxa de interceptação, baixa. Segundo ele, 28 dos mísseis disparados contra Kiev eram balísticos — um recorde para um único ataque à cidade. A Ucrânia enfrenta escassez de sistemas Patriot de defesa aérea há meses.
Prédios destruídos e pessoas sob os escombros
Os danos estruturais foram severos em áreas residenciais. No distrito de Darnytskyi, andares de um edifício de nove pavimentos desabaram, deixando moradores presos. No Desnianskyi, outro prédio residencial foi parcialmente destruído.
Incêndios se espalharam por vários pontos da cidade — dos telhados de edifícios altos em Holosiivskyi e no central Boulevard Shevchenko a residências em Sviatoshynskyi. Entre os feridos em estado crítico está um paramédico. Motoristas de ambulância também figuram entre as vítimas.
Uma noite no subsolo
Aos primeiros alarmes, milhares de moradores correram para as estações de metrô. Carregando crianças, animais de estimação e pertences, buscaram abrigo no subsolo. O metrô de Kiev registrou um número recorde de 52,5 mil pessoas abrigadas, entre elas cerca de 4,5 mil crianças, com todas as 46 estações servindo de refúgio.
O presidente Volodymyr Zelensky havia alertado horas antes sobre a possibilidade do ataque e, por isso, encurtou uma visita a Dublin, na Irlanda. A repercussão ultrapassou as fronteiras: a Polônia colocou caças em alerta e a Finlândia chegou a restringir temporariamente seu espaço aéreo.
A guerra de desgaste continua
A intensificação dos ataques russos ocorre em paralelo à campanha ucraniana de drones de longo alcance dentro da Rússia. Kiev tem mirado instalações militares e de energia, provocando uma crise generalizada de combustível no país — o terceiro maior produtor de petróleo do mundo — que já força Moscou a importar gasolina de lugares distantes.
Nesta quinta-feira, autoridades russas relataram novos ataques de drones. Na região de Belgorod, na fronteira, um ataque atingiu uma residência e matou um homem, deixando sua esposa ferida. Tanto Rússia quanto Ucrânia negam mirar civis deliberadamente.
Diplomacia travada
O ataque expõe o abismo entre os campos de batalha e a mesa de negociação. Recentemente, Zelensky propôs abrir conversas diretas com Vladimir Putin para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos. A oferta foi rejeitada pelo líder do Kremlin.
Enquanto a diplomacia permanece paralisada, o custo humano segue subindo. A madrugada desta quinta em Kiev foi mais um lembrete brutal de que, apesar do desgaste dos dois lados, a guerra ainda mira o coração das cidades e as vidas dos civis.
Fontes: Associated Press, AFP, Reuters e serviços de emergência da Ucrânia.