Trump cancela envio de negociadores ao Paquistão após Irã recusar conversa direta com EUA
As chances de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sofreram um forte revés neste sábado (25), depois que o presidente Donald Trump cancelou a viagem de seus en
As chances de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sofreram um forte revés neste sábado (25), depois que o presidente Donald Trump cancelou o envio de seus negociadores ao Paquistão.
Steve Witkoff e Jared Kushner deveriam viajar a Islamabad para participar de tratativas sobre o fim da guerra no Oriente Médio. A missão, no entanto, foi suspensa após o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, recusar um encontro direto com representantes de Washington.
O diplomata iraniano esteve na capital paquistanesa, mas se limitou a entregar a proposta de Teerã aos mediadores locais. Segundo relatos, ele deixou claro que não conversaria diretamente com os enviados norte-americanos.
Trump eleva o tom contra Teerã
Trump anunciou o cancelamento em sua rede Truth Social, afirmando que a viagem representaria perda de tempo e que os Estados Unidos mantêm vantagem nas negociações.
“Eu acabei de cancelar a viagem de meus representantes a Islamabad para se encontrar com os iranianos. Muito tempo perdido em viagem, e muito trabalho!”, escreveu Trump.
O presidente também acusou a liderança iraniana de estar mergulhada em “confusão” e afirmou que, se Teerã quiser negociar, deverá procurar Washington diretamente.
A fala marcou uma mudança brusca no clima diplomático, especialmente porque, um dia antes, a Casa Branca ainda falava em avanços e progresso nas tratativas.
Irã aceita mediação, mas rejeita diálogo direto
A decisão de Trump veio depois que Abbas Araghchi afirmou que não se reuniria com negociadores norte-americanos em Islamabad. O chanceler iraniano optou por tratar apenas com os mediadores paquistaneses.
Na prática, Teerã enviou sua proposta para o fim da guerra, mas evitou transformar a visita em uma negociação direta com Washington. Mais tarde, Araghchi classificou a viagem como “frutífera”, mas questionou a seriedade da diplomacia americana.
O gesto expõe a distância entre os dois lados: enquanto os EUA pressionam por negociações diretas, o Irã tenta manter o processo nas mãos de mediadores regionais.
Negociações já vinham travadas
A rodada anterior de conversas já havia sido adiada na terça-feira (21), depois que o Irã afirmou não estar pronto para retomar os contatos. Na ocasião, a delegação norte-americana permaneceu em Washington.
Mesmo assim, Trump prorrogou o cessar-fogo entre os dois países para manter aberta a possibilidade de diálogo. A expectativa, até então, era que a ida dos enviados americanos ao Paquistão pudesse destravar a negociação.
Com o cancelamento da missão, o processo volta a um cenário de incerteza, marcado por acusações públicas, pressão militar e disputa sobre quem deve dar o próximo passo.
Ormuz segue no centro da crise
Enquanto a diplomacia trava, o Estreito de Ormuz permanece como um dos pontos mais sensíveis do conflito. A rota marítima, por onde passa uma parcela significativa do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, segue sob forte restrição.
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A região está sob pressão de um bloqueio cruzado envolvendo Irã e Estados Unidos, o que mantém elevada a preocupação de governos, empresas de navegação e mercados de energia.
Líderes europeus também têm pressionado pela reabertura da rota, considerada vital para a estabilidade econômica global. Sem Ormuz, a crise deixa de ser apenas militar e passa a atingir diretamente energia, comércio e inflação.
Pressão também aumenta no Líbano
O impasse entre Washington e Teerã ocorre em paralelo a novas tensões no Líbano. O cessar-fogo envolvendo Israel e Hezbollah segue sob pressão, enquanto autoridades israelenses acusam o grupo, apoiado pelo Irã, de tentar sabotar tratativas de paz.
O Hezbollah, por sua vez, rejeita a continuidade das negociações diretas com Israel e critica o que chama de “atos de hostilidade” israelenses.
Impasse diplomático ou nova escalada?
O cancelamento da viagem dos negociadores americanos marca mais uma ruptura no processo diplomático entre Estados Unidos e Irã.
O que parecia caminhar para uma nova rodada de conversas retorna agora a um ambiente de desconfiança, pressão militar e disputa pelas condições de um eventual acordo.
Resta saber se o episódio será apenas um impasse temporário ou se representa mais um passo rumo ao prolongamento da guerra no Oriente Médio.
Fonte: Reuters, Associated Press e Washington Post.