Vídeo: Trump e Pezeshkian assinam memorando para reabrir Ormuz
Trump e Pezeshkian assinaram um memorando de entendimento para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz após meses de conflito.
Os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinaram um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, em um acordo que busca encerrar meses de guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz.
A assinatura ganhou forte peso simbólico depois que Trump formalizou o documento no Palácio de Versalhes, diante do presidente francês, Emmanuel Macron, durante um jantar oficial após a cúpula do G7 na França.
O memorando não encerra todas as disputas entre Washington e Teerã, mas abre uma fase decisiva de 60 dias para testar se o cessar-fogo pode virar um acordo final.
Um memorando para encerrar a guerra
O documento assinado pelos dois governos estabelece as bases para interromper as hostilidades e iniciar uma negociação mais ampla sobre segurança regional, sanções, navegação marítima e o programa nuclear iraniano.
Segundo relatos da imprensa internacional, o memorando tem 14 pontos e prevê a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito.
A passagem havia sido fortemente afetada pela guerra, pressionando preços de energia, seguros marítimos e cadeias globais de transporte.
Ormuz é mais do que uma rota marítima. É um dos pontos de pressão mais importantes da economia mundial.
Assinatura em Versalhes reforça simbolismo
A assinatura em Versalhes foi tratada como um gesto político de alto impacto.
🚨 President Donald J. Trump has SIGNED the Iran Memorandum of Understanding at Versailles in France. 🇺🇸 pic.twitter.com/JQ6qlbvFAF
— The White House (@WhiteHouse) June 17, 2026
Para Trump, o local reforça a imagem de um acordo histórico. Para Macron, o jantar funcionou como palco diplomático para aproximar Washington, Europa e Oriente Médio em um momento de reorganização estratégica.
O gesto também teve peso por ocorrer logo após a cúpula do G7, onde líderes ocidentais discutiram Ucrânia, Rússia, energia, inteligência artificial e os desdobramentos do acordo entre Estados Unidos e Irã.
Mesmo assim, a diplomacia visual não elimina os riscos. O acordo ainda depende de implementação prática, fiscalização e aceitação política dentro dos dois países.
Ormuz será reaberto por 60 dias sem taxas
Um dos pontos centrais do memorando é a reabertura de Ormuz para navios mercantes.
Durante os primeiros 60 dias, embarcações comerciais deverão ter passagem segura pelo estreito sem cobrança de taxas, pedágios ou restrições adicionais.
Esse período funcionará como teste. Se a navegação for normalizada e o cessar-fogo se mantiver, Estados Unidos e Irã avançarão para um acordo final.
As primeiras passagens de petroleiros pelo estreito já foram interpretadas como sinal de alívio para o mercado global de energia.
A reabertura de Ormuz é a parte mais imediata do acordo, porque afeta diretamente petróleo, transporte marítimo e inflação global.
Irã quer novo modelo para o estreito
Teerã, porém, deixou claro que Ormuz não voltará exatamente ao modelo anterior à guerra.

Autoridades iranianas afirmam que, após o período inicial de transição, o país pretende cobrar por serviços marítimos, segurança, proteção ambiental e apoio à navegação.
Essa posição pode se tornar um dos principais pontos de atrito na próxima fase das negociações.
Para o Irã, a cobrança seria uma forma de afirmar soberania e financiar a gestão da rota. Para os Estados Unidos e seus aliados, qualquer taxa excessiva pode ser vista como tentativa de controlar politicamente uma passagem internacional essencial.
O teste de implementação
O maior desafio agora não é a assinatura, mas a implementação.
Nos próximos 60 dias, as partes terão de demonstrar que conseguem manter o cessar-fogo, evitar novos ataques, permitir a navegação em Ormuz e avançar em temas mais difíceis, como sanções e programa nuclear.
Washington quer garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares. Teerã insiste em preservar direitos soberanos e busca alívio econômico após meses de guerra e sanções.
Também há o risco de frentes paralelas, especialmente no Líbano, voltarem a pressionar o acordo. Israel não foi parte direta da negociação e mantém interesses próprios de segurança na região.
O que está em jogo
O memorando representa uma pausa importante em uma guerra que afetou energia, comércio e segurança regional.
Para Trump, o acordo é apresentado como vitória diplomática e como caminho para estabilizar Ormuz. Para Pezeshkian, o memorando pode abrir espaço para aliviar pressões econômicas sem declarar rendição estratégica.
Mas o texto assinado ainda é uma etapa inicial. A paz real dependerá da capacidade de transformar promessas em prática: navios passando, bloqueios sendo retirados, sanções negociadas e compromissos nucleares monitorados.
Se o período de 60 dias funcionar, Estados Unidos e Irã poderão avançar para um acordo final. Se fracassar, Ormuz pode voltar a ser o principal ponto de tensão entre as duas potências.
Por enquanto, a assinatura em Versalhes marca o início de uma nova fase. A guerra pode ter entrado em recuo, mas a disputa pelo futuro do Oriente Médio ainda está longe de terminar.
Fonte: Reuters, The Guardian, Al Jazeera e Business Insider.