Trump: "Estou considerando um ataque massivo ao Irã, maior do que qualquer outro - vou decidir em breve"

Por Cenas de Combate

Trump diz considerar um "ataque massivo" ao Irã, maior do que qualquer ofensiva anterior, e o petróleo passa de US$ 100. Congresso reage e Teerã acusa crimes.

Trump: "Estou considerando um ataque massivo ao Irã, maior do que qualquer outro - vou decidir em breve"

O presidente Donald Trump elevou a guerra contra o Irã a um novo patamar de tensão. Nesta quinta-feira (23), ele afirmou estar considerando um "ataque massivo" contra Teerã — maior do que qualquer ofensiva já realizada no conflito — e disse que uma decisão está próxima.

A declaração fez o mercado global entrar em pânico. O preço do barril de petróleo ultrapassou os US$ 100 pela primeira vez em dois meses.

A ameaça a Teerã

Em entrevista por telefone ao jornalista Barak Ravid, da Axios, Trump foi direto sobre a magnitude do que planeja. Ele admitiu que a decisão teria consequências sérias, mas afirmou que os preparativos já estão prontos.

"Estou considerando um ataque massivo. Maior do que qualquer coisa antes. Estou perto de tomar uma decisão. Estamos totalmente prontos para isso." — Donald Trump

Segundo o presidente, o ataque superaria a Operação Épica Ira Suprema ("Operation Epic Fury"), nome dado pelo Pentágono à fase inicial da guerra. Trump não deu prazo para a decisão, e dois altos funcionários americanos confirmaram à Axios que nenhuma ordem foi dada às forças armadas até o momento.

"Ainda não sentiram dor suficiente"

A justificativa de Trump para a escalada foi a lentidão das negociações. Ele reiterou que o Irã "quer negociar", mas afirmou que a liderança iraniana ainda não mudou de posição — e usou uma expressão que resume sua estratégia de pressão máxima.

"Eles ainda não sentiram dor suficiente." — Donald Trump, sobre a liderança iraniana

O secretário de Estado Marco Rubio reforçou o tom. Respondendo à doutrina iraniana do "olho por olho", ele afirmou que a política de Trump é "cabeça por olho" — sinalizando uma disposição de retaliar de forma desproporcional.

O papel de Israel

Questionado sobre uma eventual participação israelense, Trump minimizou a necessidade de ajuda externa, mas deixou claro o alinhamento com Israel.

"Eles fariam isso em dois minutos se eu pedisse", disse o presidente, acrescentando que os EUA "não precisam de ninguém" para conduzir a campanha. A fala reforça reportagens de que o premiê Benjamin Netanyahu vem pressionando Washington por ataques mais amplos.

O petróleo dispara

A reação econômica foi imediata. O barril de petróleo superou os US$ 100 pela primeira vez em dois meses, refletindo o temor de que um ataque massivo feche de vez o Estreito de Ormuz e interrompa o fluxo global de energia.

Estreito de Ormuz | Via Reuters

A pressão se soma a outra frente: os houthis, no Iêmen, anunciaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, como parte de um bloqueio à Arábia Saudita. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, advertiu o grupo contra atingir navios-tanque.

O Congresso reage

A ameaça de Trump encontrou resistência dentro de casa. Nesta quinta, a Câmara dos Representantes — controlada pelos republicanos — aprovou, por 214 votos a 208, uma resolução determinando que o presidente interrompa a ação militar contra o Irã sem autorização do Congresso.

Embora tenha caráter mais simbólico, o voto representa a mais recente reprovação do Legislativo à condução da guerra. Já o Irã acusou Trump de ameaçar cometer crimes de guerra, em referência às ameaças contra pontes e usinas de energia.

Uma nova escalada militar

No terreno, os EUA já ampliaram o poderio empregado. Segundo autoridades americanas, um bombardeiro de longo alcance B-1 foi usado pela primeira vez na campanha, atingindo alvos da Guarda Revolucionária. A aeronave pode transportar dezenas de bombas ou mísseis de cruzeiro, sinal de uma intensificação dos ataques.

A ofensiva já dura doze noites consecutivas. O Comando Central afirma que os bombardeios seguem mirando depósitos de mísseis e drones e defesas aéreas iranianas, para "degradar" a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação em Ormuz.

O eco de fevereiro

Há um detalhe que torna a ameaça de Trump ainda mais crível. Em junho de 2025, ele anunciou publicamente que decidiria "nas próximas duas semanas" sobre atacar o Irã — e, 48 horas depois, bombardeiros furtivos B-2 já cruzavam o espaço aéreo iraniano. Um assessor descreveu a manobra como uma "finta" para confundir Teerã e a imprensa.

Por isso, o alerta desta quinta não pode ser lido como mera retórica. Trump já mostrou que suas ameaças públicas podem esconder um plano em andamento. Entre a diplomacia travada, o petróleo a US$ 100 e um Congresso dividido, o Oriente Médio observa, temendo que a "decisão iminente" prometida pelo presidente seja o estopim de uma guerra ainda maior.

Fontes: Axios, Fox News, Irish Times, Just Security, Mediaite e Centcom.

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