Trump promete tomar urânio após ordem de Khamenei ao Irã
Trump afirmou que os EUA tomarão e provavelmente destruirão o urânio enriquecido do Irã, após ordem atribuída a Mojtaba Khamenei para manter o material no país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA irão “eventualmente” tomar os estoques de urânio enriquecido do Irã e provavelmente destruí-los.
A declaração foi feita após informações de que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria ordenado que o material enriquecido não fosse retirado do território iraniano, endurecendo a posição de Teerã nas negociações.
O impasse em torno do urânio enriquecido se tornou um dos pontos mais sensíveis da crise entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Trump diz que os EUA vão pegar o urânio
Falando a repórteres na Casa Branca, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que o Irã mantenha seus estoques de urânio altamente enriquecido.
“Vamos levar. Não precisamos disso, não queremos. Provavelmente vamos destruí-lo depois que o conseguirmos, mas não vamos permitir que eles fiquem com ele”, disse Trump.
A fala reforça uma das principais exigências americanas no conflito: impedir que Teerã preserve material nuclear considerado sensível por Washington e por seus aliados.
A ordem atribuída a Mojtaba Khamenei
Segundo duas fontes iranianas ouvidas pela Reuters, Mojtaba Khamenei teria determinado que o urânio enriquecido do país não seja enviado ao exterior.
A ordem, se confirmada, representa um endurecimento da posição iraniana. Até então, uma das possibilidades discutidas em negociações era a retirada, diluição ou colocação do material sob algum tipo de supervisão internacional.
Para Teerã, manter o urânio dentro do país é uma questão de soberania e segurança. Para Washington, Israel e outros governos ocidentais, o estoque representa um risco direto de proliferação nuclear.
Quanto urânio enriquecido o Irã teria
Acredita-se que o Irã possua centenas de quilos de urânio enriquecido a até 60%. Esse nível está muito acima do necessário para a maioria dos usos civis e relativamente próximo dos 90% geralmente associados ao grau de armamento nuclear.
Isso não significa que o Irã possua automaticamente uma arma nuclear pronta. Para isso, ainda seriam necessários outros passos técnicos, como enriquecimento adicional, conversão do material e desenvolvimento de um dispositivo funcional.
No entanto, o volume de urânio a 60% reduz o tempo necessário para uma eventual corrida rumo ao grau militar, o que explica a pressão internacional sobre Teerã.
Irã nega buscar armas nucleares
O governo iraniano nega que esteja tentando desenvolver armas nucleares. Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins civis, médicos, científicos e energéticos.
Estados Unidos, Israel e outros países ocidentais, porém, acusam o Irã de usar o enriquecimento avançado como forma de criar uma capacidade nuclear latente. Essa diferença de interpretação está no centro da crise.
Para o Irã, o urânio é um ativo estratégico. Para os EUA, é uma linha vermelha.
O material teria sido enterrado após ataques
Trump afirmou que parte do urânio enriquecido teria sido enterrada após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra instalações iranianas cerca de um ano atrás.
A localização exata e o estado do material continuam sendo pontos de incerteza. Em situações desse tipo, a verificação internacional se torna difícil, especialmente quando inspetores não têm acesso pleno aos locais atingidos ou aos estoques remanescentes.
Essa falta de clareza aumenta o peso do tema nas negociações. Sem uma confirmação independente sobre onde está o material e em que condições ele se encontra, qualquer acordo se torna mais difícil de implementar.
Por que a disputa é tão perigosa
O impasse ocorre em um cenário de guerra, pressão militar e negociações frágeis. Para os Estados Unidos, retirar o urânio do controle iraniano seria uma forma de impedir que Teerã avance em direção a uma arma nuclear.
Para o Irã, entregar o material poderia ser interpretado internamente como rendição estratégica, especialmente após ataques contra seu território e suas instalações nucleares.
Esse choque de interesses cria uma situação altamente instável: Washington exige a retirada do urânio, enquanto Teerã trata o estoque como instrumento de sobrevivência política e militar.
A resposta de Donald Trump à ordem atribuída a Mojtaba Khamenei mostra que o urânio enriquecido se tornou o centro da crise entre Estados Unidos e Irã.
Mais do que uma disputa técnica sobre material nuclear, o caso envolve soberania, dissuasão, pressão militar e o risco de uma nova escalada no Oriente Médio.
Se o Irã mantiver o urânio em seu território e os EUA insistirem em tomá-lo, o espaço para uma solução diplomática pode ficar ainda mais estreito. Nesse cenário, cada declaração pública passa a funcionar não apenas como mensagem política, mas como parte da própria guerra de pressão entre Washington e Teerã.
Fonte: Reuters, Al Jazeera e Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).