Trump quer Síria contra o Hezbollah e alerta o Líbano

Por Cenas de Combate

Trump sugere que a Síria combata o Hezbollah melhor que Israel e alerta o Líbano. Damasco rejeita intervir e teme nova crise regional.

Trump quer Síria contra o Hezbollah e alerta o Líbano

O presidente Donald Trump abriu uma nova e delicada frente diplomática no Oriente Médio ao sugerir que a Síria faria um "trabalho melhor" do que Israel no combate ao Hezbollah no Líbano. A declaração, feita à margem da cúpula do G7 em Evian, na França, expõe a crescente frustração de Washington com a guerra israelense e acende temores sobre a soberania libanesa.

A ideia é ousada porque propõe transferir parte do problema do Hezbollah para a nova liderança em Damasco, em vez de depender apenas da pressão militar de Israel. Em uma região já marcada por guerra e tensões de fronteira, até uma proposta vaga pode ter consequências políticas sérias.

Trump sinaliza um novo papel para a Síria

Segundo a agência AP, Trump afirmou que o presidente sírio Ahmad al-Sharaa poderia ser mais eficaz e menos destrutivo do que Israel tem sido. O americano criticou a duração e o alto custo humano da campanha israelense no Líbano.

"Se Israel não consegue fazer o trabalho sem matar todo mundo, ele fará. A Síria fará o trabalho." — Donald Trump

Trump também reclamou da forma como Israel conduz a guerra. Para ele, não é preciso "derrubar um prédio de apartamentos" a cada operação, já que nem todos os moradores são membros do Hezbollah. O presidente sugeriu ainda que a campanha israelense atrapalhava o acordo dos EUA com o Irã.

A Síria diz que não quer intervir

A resposta de Damasco foi de recuo. Al-Sharaa afirmou não ter interesse em enfrentar o Hezbollah e disse que os comentários de Trump foram mal interpretados. Segundo a AP, autoridades sírias negaram publicamente qualquer plano de intervir no Líbano e pediram, em vez disso, o fim da guerra e a redução das tensões.

A postura faz sentido. A nova liderança síria tenta se apresentar como focada na reconstrução do país após anos de guerra civil, e não na abertura de uma nova frente. Damasco também enfrenta uma situação de segurança frágil em suas próprias fronteiras.

Líbano e Israel veem novos riscos

A proposta é especialmente sensível no Líbano por causa da longa e controversa presença militar síria no país entre os anos 1970 e 2005. A AP afirma que as falas de Trump reavivaram temores ligados a tensões sectárias e à memória da dominação síria.

Israel também ficou inquieto. O Estado judeu continua desconfiado da influência crescente da Síria sob seus novos governantes. E o cenário no terreno já é volátil: segundo a AP, mais de 4.000 pessoas foram mortas por ataques israelenses no Líbano desde que o Hezbollah entrou na guerra mais ampla contra o Irã, em 2 de março.

O Hezbollah no centro da crise regional

O grupo libanês segue no coração das disputas que envolvem Israel, Líbano, Síria e Irã. Há um detalhe histórico que complica tudo: o Hezbollah lutou ao lado do ditador Bashar al-Assad durante a guerra civil síria, justamente o regime que al-Sharaa derrubou em 2024.

Mesmo com esse histórico de rivalidade, a AP informa que os atuais líderes sírios disseram não querer "acertar contas" agora. Enquanto isso, segundo a Reuters, Israel e Líbano assinaram um acordo inicial mediado pelos EUA, mas as tensões continuam altas e a implementação ainda é incerta.

O que vem a seguir

A grande questão é saber se os comentários de Trump vão ficar apenas na retórica ou começar a moldar a política americana para a Síria, o Líbano e o Hezbollah. Por enquanto, o ponto mais firme é que Damasco rejeitou a ideia de intervir.

No fim, a história fala menos de uma ação síria imediata e mais da instabilidade introduzida pela sugestão. Em um tabuleiro regional já frágil, a simples ideia de uma Síria militarmente ativa no Líbano basta para mexer com cálculos de poder que levaram décadas para se acomodar.

Fontes: Associated Press, Reuters, Bloomberg, The Times of Israel e Jerusalem Post.

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