Trump terá agenda com Zelensky e Macron no G7 na França
Trump participará de reunião com Zelensky no G7 e jantará com Macron em Versalhes, enquanto Ucrânia e Irã devem dominar a cúpula.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá uma agenda diplomática intensa durante a Cúpula do G7, que será realizada em Évian-les-Bains, na França, entre os dias 15 e 17 de junho.
Entre os principais compromissos estão uma reunião de trabalho com a participação do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, encontros com líderes do Oriente Médio e um jantar com o presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes.
A cúpula ocorre em um momento decisivo: a guerra na Ucrânia segue sem solução, enquanto o acordo entre Estados Unidos e Irã tenta abrir uma nova fase no Oriente Médio.
Trump e Zelensky estarão na mesma reunião de trabalho
Trump e Zelensky devem participar da mesma reunião de trabalho do G7 na terça-feira, 16 de junho.
Segundo autoridades americanas, uma reunião bilateral formal entre os dois presidentes ainda não está oficialmente prevista na agenda de Trump. Mesmo assim, os dois líderes podem se encontrar à margem da sessão.
A presença de Zelensky no encontro tem peso estratégico. A Ucrânia busca manter apoio militar e financeiro ocidental em um momento de desgaste no campo de batalha e de incerteza sobre o ritmo do apoio americano.
Para Kiev, o G7 é uma oportunidade de recolocar a guerra contra a Rússia no centro da agenda ocidental, em meio à atenção crescente sobre o Oriente Médio.
Ucrânia tenta recuperar espaço na agenda internacional
A guerra na Ucrânia continua como um dos temas centrais do encontro. Zelensky deve pressionar os líderes do G7 por mais financiamento militar, defesa aérea, munição, drones, sanções contra Moscou e garantias de longo prazo.
O desafio para Kiev é claro: a crise entre Estados Unidos e Irã deslocou parte da atenção diplomática e militar de Washington para o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz.

Além disso, a Rússia continua tentando avançar no front, enquanto a Ucrânia enfrenta escassez de pessoal, necessidade de reposição de equipamentos e pressão por novas rodadas de mobilização.
Zelensky chega ao G7 tentando evitar que a guerra no Oriente Médio reduza a prioridade da Ucrânia na agenda dos aliados.
Jantar entre Trump e Macron em Versalhes
Após o encerramento da cúpula, Trump deve jantar com Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, na quarta-feira, 17 de junho.
Segundo a presidência francesa, o jantar terá simbolismo histórico e será ligado às comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.
Versalhes foi escolhido por seu peso na história franco-americana. O local remete à relação entre França e Estados Unidos desde o século XVIII, quando o apoio francês foi decisivo para a independência americana.
O jantar em Versalhes é diplomacia em forma de cenário: Macron tenta combinar simbolismo histórico, cortesia pessoal e gestão de uma relação difícil com Trump.
Macron tenta manter Trump engajado
A França estruturou a cúpula tentando reduzir tensões e manter Trump envolvido até o fim do encontro.
Nos últimos anos, a relação entre Trump e aliados europeus passou por momentos de atrito, especialmente em temas como comércio, defesa, tarifas, Ucrânia, OTAN e política para o Oriente Médio.
Macron tenta usar a presidência francesa do G7 para projetar unidade ocidental, mas sem provocar confrontos diretos com Washington.
O desafio é delicado. A Europa precisa dos Estados Unidos em temas como Ucrânia, segurança energética e dissuasão militar, mas também tenta demonstrar maior autonomia diante das mudanças na política externa americana.
Oriente Médio deve dominar parte da cúpula
A aceleração das discussões sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã deve estar entre os temas mais importantes do G7.
O acordo preliminar anunciado por Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, prevê cessar-fogo, reabertura do Estreito de Ormuz e negociações técnicas sobre sanções, navegação, reconstrução e programa nuclear iraniano.
Os líderes do G7 devem discutir como transformar esse entendimento inicial em uma estrutura mais estável, capaz de impedir uma nova escalada militar.
O ponto mais urgente é Ormuz. A rota é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo para petróleo e gás natural liquefeito.
França e Reino Unido podem atuar em Ormuz
Uma das questões em discussão é a possível participação da França e do Reino Unido em operações de desminagem no Estreito de Ormuz.
A ideia seria ajudar a garantir a reabertura segura da rota marítima após meses de guerra e restrições à navegação.
Segundo autoridades americanas, a missão franco-britânica poderia ser útil caso o cessar-fogo avance. No entanto, sua viabilidade dependeria da aceitação de Teerã e do grau de confiança entre as partes.
Para o Irã, a presença de marinhas ocidentais próximas ao estreito é tema extremamente sensível. Para os Estados Unidos e seus aliados, garantir a passagem de navios é essencial para estabilizar mercados de energia e comércio global.
Reuniões com Catar, Emirados, Egito e Índia
Trump também deve realizar encontros individuais com líderes do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Egito e da Índia.
Catar e Egito têm papel relevante em mediações regionais. Os Emirados Árabes Unidos foram diretamente afetados pela instabilidade no Golfo. A Índia, por sua vez, tem grande interesse na segurança energética e nas rotas de comércio ligadas ao Oriente Médio.
Essas reuniões mostram que o G7, embora formado por economias industrializadas, será atravessado por temas que envolvem países de fora do grupo.
Na prática, Trump usará a cúpula como palco para coordenar posições sobre Irã, Ormuz, energia, comércio e segurança regional.
IA, imigração, inovação e energia também entram na pauta
Além das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a Casa Branca informou que Trump pretende discutir temas como Inteligência Artificial, imigração, inovação e energia.
A França também quer colocar na mesa temas econômicos, como desequilíbrios globais, cadeias de suprimentos, minerais críticos e dependência em relação à China.
O problema é que as crises militares tendem a dominar a atenção política. Ucrânia, Irã, Ormuz e segurança energética podem reduzir o espaço para uma agenda econômica mais ampla.
Mesmo assim, esses temas mostram que o G7 continua tentando atuar como fórum de coordenação entre grandes economias, tecnologia, segurança e política externa.
O peso político da presença de Trump
A presença de Trump na cúpula é tratada como elemento central por aliados europeus.
Para Macron, manter o presidente americano engajado no encontro é essencial para evitar sinais de divisão dentro do bloco ocidental.
Para Zelensky, qualquer contato direto ou indireto com Trump pode ser importante para tentar garantir continuidade no apoio americano à Ucrânia.
Para os países do Golfo e mediadores regionais, a presença de Trump é decisiva porque o acordo com o Irã depende diretamente da posição dos Estados Unidos.
O G7 na França será menos uma cúpula de comunicados formais e mais um teste de coordenação entre crises simultâneas.
A agenda de Trump no G7 mostra como a política externa americana continua no centro de várias crises globais ao mesmo tempo.
Na Ucrânia, Zelensky tentará manter o apoio ocidental contra a Rússia e evitar que a guerra seja empurrada para segundo plano.
No Oriente Médio, líderes do G7 vão discutir os próximos passos do acordo entre Estados Unidos e Irã, incluindo a reabertura de Ormuz e uma possível missão de desminagem com participação francesa e britânica.
Em Versalhes, Macron tentará usar a diplomacia simbólica para reforçar a relação franco-americana e manter Trump engajado em uma agenda comum.
O resultado da cúpula dependerá menos de grandes declarações e mais da capacidade dos líderes de coordenar respostas práticas. Ucrânia, Irã, energia, IA, imigração e comércio estarão na mesma mesa.
Em um cenário de guerras simultâneas e disputas econômicas crescentes, o G7 na França será um teste direto para a unidade entre Estados Unidos, Europa e aliados estratégicos.
Fonte: Reuters, Associated Press, Le Monde, The Guardian e Presidência da França.