Trump vê avanço na "desnuclearização" do Irã em reunião no Catar

Por Cenas de Combate

Trump diz que a "desnuclearização" do Irã avança após conversas em Doha, mas fontes revelam que o programa nuclear nem entrou na pauta técnica.

Trump vê avanço na "desnuclearização" do Irã em reunião no Catar

O presidente Donald Trump comemorou nesta quarta-feira (1º) o progresso das negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Doha, no Catar. Segundo ele, as conversas técnicas avançam bem e caminham para o que chamou de "desnuclearização" iraniana. Ao mesmo tempo, Teerã elevava o tom e cobrava Washington a conter Israel.

O otimismo do americano, porém, esbarra em um detalhe revelado por fontes das negociações. As conversas em Doha foram técnicas e não trataram diretamente do programa nuclear iraniano.

O otimismo de Trump

Falando a repórteres antes de embarcar rumo à Dakota do Norte, Trump classificou as reuniões como "muito boas". O presidente viajava a bordo de seu novo avião presidencial, um presente do Catar, para a inauguração da biblioteca presidencial de Theodore Roosevelt.

"A desnuclearização do Irã está progredindo bem. Eles tiveram reuniões muito boas. Nós os atacamos com muita força, mas estamos indo muito bem." — Donald Trump

O republicano reforçou a posição histórica de Washington de que o Irã não terá permissão para possuir uma arma nuclear. Ele também afirmou que Teerã mudou de postura após os recentes ataques americanos.

O que estava realmente em jogo em Doha

As conversas indiretas em Doha tiveram Catar e Paquistão como mediadores. Do lado americano, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com o primeiro-ministro catariano, mas não participaram das reuniões técnicas.

Segundo fontes com conhecimento direto, o foco das negociações foi o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e a liberação de fundos iranianos congelados — e não o programa nuclear em si. As tratativas buscam garantir a implementação do acordo provisório assinado duas semanas antes, que deu 60 dias para um acordo definitivo.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Garibabadi, confirmou que as partes concordaram em abrir um canal de comunicação para registrar eventuais violações do entendimento.

Irã cobra os EUA: "controlem Israel"

Enquanto Trump celebrava, o chanceler iraniano Abbas Araghchi elevava o tom. Ele afirmou que o país dará uma resposta "imediata e forte" a qualquer ameaça contra seu povo ou sua liderança, em publicação na rede social X.

"Donald Trump prometeu que os EUA vão amordaçar o cachorro deles em Tel Aviv. Se ignorar seu mestre, o Irã o treinará." — Abbas Araghchi, chanceler do Irã

A fala, dura mesmo para os padrões diplomáticos, foi uma reação direta a declarações do ministro da Defesa israelense, Israel Katz. Ele havia dito que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, era "alvo de morte".

Uma trégua ainda frágil

O pano de fundo dessas conversas é uma guerra recente e um cessar-fogo instável. O antigo líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto em 28 de fevereiro, no primeiro dia do conflito com os EUA e Israel. Seu funeral está marcado para os primeiros dias de julho, e a próxima rodada de negociações só deve ocorrer depois disso.

A tensão também segue viva no mar. O tráfego pelo Estreito de Ormuz continua classificado como zona de guerra por sindicatos e empregadores do setor marítimo, com pagamento em dobro para tripulações que cruzam a região.

Retórica de avanço, realidade de impasse

A distância entre o discurso de Trump e o conteúdo real das reuniões resume o momento. De um lado, Washington projeta otimismo e fala em "desnuclearização". De outro, as negociações ainda giram em torno de questões operacionais, sem tocar no ponto mais sensível.

Somada às ameaças trocadas entre Irã e Israel, essa distância mostra que a paz na região continua mais próxima da retórica do que dos fatos. Cada declaração forte de um lado reacende o risco de que a frágil trégua se rompa.

Fontes: Reuters, CBS News, The Times of Israel e Ministério das Relações Exteriores do Catar.

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