Vídeo: Ucrânia ataca refinaria e armazéns russos a 1.300 km da fronteira
Drones ucranianos incendeiam uma refinaria da Gazprom e armazéns da Wildberries em Bashkortostão, a mais de 1.300 km da fronteira. Entenda a campanha de Kiev.
A Ucrânia levou sua campanha de ataques ao coração industrial da Rússia. Na madrugada desta quinta-feira (13), drones ucranianos atingiram uma refinaria de petróleo e armazéns da gigante do comércio eletrônico Wildberries na república russa de Bashkortostão — a mais de 1.300 quilômetros da fronteira ucraniana.
O ataque demonstra o alcance cada vez maior das forças de Kiev. A distância é tão grande que os alvos estão a cerca de 1.200 km a leste da própria Moscou.
O alvo principal: uma refinaria da Gazprom
Em publicação no Telegram, o Estado-Maior do Exército ucraniano confirmou ter atingido o complexo de refino e petroquímica Gazprom Neftekhim Salavat, na cidade de Salavat, provocando um incêndio.
A instalação não é um alvo qualquer: trata-se de uma das maiores refinarias da Rússia, responsável por cerca de 2,7% de toda a capacidade de processamento de petróleo do país, com uma produção anual em torno de 7 milhões de toneladas. O complexo fabrica gasolina, diesel, querosene e diversos produtos petroquímicos que abastecem, entre outros, as forças armadas russas.
Os armazéns da Wildberries
A refinaria não foi o único alvo. Segundo relatos e vídeos que circularam nas redes sociais, pelo menos três drones ucranianos também atacaram armazéns da Wildberries, a maior empresa de comércio eletrônico da Rússia.
Three drone strikes in a row at the Wildberries warehouse in Bashkortostan. pic.twitter.com/4aLA3klOwv
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) August 13, 2026
O centro de distribuição, localizado no distrito de Chishminsky, é um complexo enorme — cerca de 186 mil metros quadrados divididos em dois galpões. A empresa confirmou o incêndio, mas afirmou que o local havia sido evacuado e que não havia mercadorias armazenadas ali no momento. Os depósitos da Wildberries já foram atingidos por drones outras vezes, por serem suspeitos de armazenar bens de uso dual (civil e militar).
A refinaria de Orsk fora de operação
O ataque desta quinta soma-se a outro golpe recente. A refinaria da cidade de Orsk, atingida por drones ucranianos dois dias antes, suspendeu completamente suas operações.
The oil refinery in the Russian city of Orsk has been completely shut down after yesterday’s Ukrainian drone attack.
— Visegrád 24 (@visegrad24) August 13, 2026
Orenburg Region Governor Yevgeny Solntsev described the situation at the refinery as “difficult” and added that “the striking elements hit key infrastructure that… pic.twitter.com/PKHEZfqDti
O governador da região de Orenburg, Yevgeny Solntsev, relatou que fragmentos destruíram equipamentos críticos e descreveu a situação como "difícil". Segundo ele, o reparo será demorado justamente por causa das sanções ocidentais.
"As peças de reposição são importadas e, por causa das sanções, os reparos podem levar até seis meses. A unidade foi completamente desligada. Estamos nos preparando para o pior cenário e seremos forçados a depender do fornecimento de combustível de outras regiões." — Yevgeny Solntsev, governador de Orenburg
Uma campanha sistemática
Os ataques desta semana não são episódios isolados. Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou drasticamente suas ofensivas contra refinarias russas, com o objetivo de aumentar o custo da guerra para Moscou e provocar escassez de combustível no território inimigo. O ataque desta quinta foi o quarto contra refinarias em apenas três dias.
An oil refinery was attacked in Salavat, Republic of Bashkortostan. It is one of Russia's largest refining and petrochemical complexes. The plant has been targeted by drones multiple times - notably in September 2025 and on July 14, 2026, when a strike caused a fire and forced a… pic.twitter.com/T0tAaFunhI
— WarTranslated (@wartranslated) August 13, 2026
A própria refinaria de Salavat já é uma velha conhecida dos drones ucranianos. Ela foi atingida em setembro de 2025 e novamente em 14 de julho deste ano, quando um ataque a obrigou a suspender temporariamente as operações. A estratégia de Kiev é clara: transformar a distância e a profundidade do território russo em uma vulnerabilidade, e não em uma proteção.
A resposta russa
Segundo o chefe da república de Bashkortostão, Radiy Khabirov, as defesas locais abateram 16 drones sobre Salavat e outros cinco no distrito de Chishminsky. Duas pessoas ficaram feridas nos ataques. Como de costume, as autoridades russas atribuíram o incêndio à queda de "destroços" de drones interceptados.
Moscou não fica sem revidar. A ofensiva ucraniana ocorre em meio a bombardeios russos que, na mesma noite, mataram ao menos oito pessoas na Ucrânia e levaram a Polônia a acionar seus caças. É a lógica implacável da guerra de desgaste, em que cada lado tenta esgotar a capacidade do outro de sustentar o conflito.
A profundidade como arma
O ataque a Bashkortostão carrega uma mensagem estratégica que vai além dos danos materiais. Ao alcançar alvos a mais de 1.300 km de distância, a Ucrânia demonstra que nenhum ponto do vasto território russo está a salvo de sua campanha de drones.
Kiev aposta que, ao sufocar o setor de petróleo — a espinha dorsal da economia e do esforço de guerra russo —, pode forçar Vladimir Putin a buscar um acordo de paz. Por enquanto, porém, não há sinais de que a estratégia esteja funcionando. O que se vê é uma escalada mútua, na qual refinarias em chamas de um lado respondem a cidades bombardeadas do outro — sem que o fim do conflito pareça mais próximo.
Fontes: Associated Press, The Moscow Times, RFE/RL, Ukrainska Pravda, Meduza e Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia.