Vídeo: Ucrânia ataca refinaria e armazéns russos a 1.300 km da fronteira

Por Cenas de Combate

Drones ucranianos incendeiam uma refinaria da Gazprom e armazéns da Wildberries em Bashkortostão, a mais de 1.300 km da fronteira. Entenda a campanha de Kiev.

Vídeo: Ucrânia ataca refinaria e armazéns russos a 1.300 km da fronteira

A Ucrânia levou sua campanha de ataques ao coração industrial da Rússia. Na madrugada desta quinta-feira (13), drones ucranianos atingiram uma refinaria de petróleo e armazéns da gigante do comércio eletrônico Wildberries na república russa de Bashkortostão — a mais de 1.300 quilômetros da fronteira ucraniana.

O ataque demonstra o alcance cada vez maior das forças de Kiev. A distância é tão grande que os alvos estão a cerca de 1.200 km a leste da própria Moscou.

O alvo principal: uma refinaria da Gazprom

Em publicação no Telegram, o Estado-Maior do Exército ucraniano confirmou ter atingido o complexo de refino e petroquímica Gazprom Neftekhim Salavat, na cidade de Salavat, provocando um incêndio.

A instalação não é um alvo qualquer: trata-se de uma das maiores refinarias da Rússia, responsável por cerca de 2,7% de toda a capacidade de processamento de petróleo do país, com uma produção anual em torno de 7 milhões de toneladas. O complexo fabrica gasolina, diesel, querosene e diversos produtos petroquímicos que abastecem, entre outros, as forças armadas russas.

Os armazéns da Wildberries

A refinaria não foi o único alvo. Segundo relatos e vídeos que circularam nas redes sociais, pelo menos três drones ucranianos também atacaram armazéns da Wildberries, a maior empresa de comércio eletrônico da Rússia.

O centro de distribuição, localizado no distrito de Chishminsky, é um complexo enorme — cerca de 186 mil metros quadrados divididos em dois galpões. A empresa confirmou o incêndio, mas afirmou que o local havia sido evacuado e que não havia mercadorias armazenadas ali no momento. Os depósitos da Wildberries já foram atingidos por drones outras vezes, por serem suspeitos de armazenar bens de uso dual (civil e militar).

A refinaria de Orsk fora de operação

O ataque desta quinta soma-se a outro golpe recente. A refinaria da cidade de Orsk, atingida por drones ucranianos dois dias antes, suspendeu completamente suas operações.

O governador da região de Orenburg, Yevgeny Solntsev, relatou que fragmentos destruíram equipamentos críticos e descreveu a situação como "difícil". Segundo ele, o reparo será demorado justamente por causa das sanções ocidentais.

"As peças de reposição são importadas e, por causa das sanções, os reparos podem levar até seis meses. A unidade foi completamente desligada. Estamos nos preparando para o pior cenário e seremos forçados a depender do fornecimento de combustível de outras regiões." — Yevgeny Solntsev, governador de Orenburg

Uma campanha sistemática

Os ataques desta semana não são episódios isolados. Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou drasticamente suas ofensivas contra refinarias russas, com o objetivo de aumentar o custo da guerra para Moscou e provocar escassez de combustível no território inimigo. O ataque desta quinta foi o quarto contra refinarias em apenas três dias.

A própria refinaria de Salavat já é uma velha conhecida dos drones ucranianos. Ela foi atingida em setembro de 2025 e novamente em 14 de julho deste ano, quando um ataque a obrigou a suspender temporariamente as operações. A estratégia de Kiev é clara: transformar a distância e a profundidade do território russo em uma vulnerabilidade, e não em uma proteção.

A resposta russa

Segundo o chefe da república de Bashkortostão, Radiy Khabirov, as defesas locais abateram 16 drones sobre Salavat e outros cinco no distrito de Chishminsky. Duas pessoas ficaram feridas nos ataques. Como de costume, as autoridades russas atribuíram o incêndio à queda de "destroços" de drones interceptados.

Moscou não fica sem revidar. A ofensiva ucraniana ocorre em meio a bombardeios russos que, na mesma noite, mataram ao menos oito pessoas na Ucrânia e levaram a Polônia a acionar seus caças. É a lógica implacável da guerra de desgaste, em que cada lado tenta esgotar a capacidade do outro de sustentar o conflito.

A profundidade como arma

O ataque a Bashkortostão carrega uma mensagem estratégica que vai além dos danos materiais. Ao alcançar alvos a mais de 1.300 km de distância, a Ucrânia demonstra que nenhum ponto do vasto território russo está a salvo de sua campanha de drones.

Kiev aposta que, ao sufocar o setor de petróleo — a espinha dorsal da economia e do esforço de guerra russo —, pode forçar Vladimir Putin a buscar um acordo de paz. Por enquanto, porém, não há sinais de que a estratégia esteja funcionando. O que se vê é uma escalada mútua, na qual refinarias em chamas de um lado respondem a cidades bombardeadas do outro — sem que o fim do conflito pareça mais próximo.

Fontes: Associated Press, The Moscow Times, RFE/RL, Ukrainska Pravda, Meduza e Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia.

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