Kremlin rebate Trump: ataques ucranianos só prolongam a guerra
Kremlin rebate Trump e afirma que os ataques ucranianos só prolongam a guerra. Washington aposta que a pressão militar pode forçar Moscou a negociar.
A Rússia rebateu a aposta de Donald Trump sobre o rumo da guerra na Ucrânia. Nesta quinta-feira (9), o Kremlin afirmou que a escalada dos ataques ucranianos só tem o efeito de "prolongar" o conflito — o oposto do que sugeriu o presidente americano, que vê nesses ataques uma forma de forçar Moscou a negociar.
A troca de análises expõe leituras opostas sobre o mesmo fato. Para Washington, a pressão militar aproxima a paz; para Moscou, ela apenas afasta qualquer acordo.
A resposta do Kremlin
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou a visão americana como um erro de cálculo. Segundo ele, há "certos equívocos" dentro da Casa Branca a respeito da ideia de que a pressão militar levaria a Rússia à mesa de negociação.
"Isso é uma percepção equivocada. O aumento das tensões e as ações que avançam na direção da escalada não contribuem de forma alguma para o processo de paz." — Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin
Peskov acrescentou uma ameaça implícita: quanto mais Kiev atacar a infraestrutura russa, mais Moscou vai "expandir a zona de segurança" nas frentes de combate. Cada nova escalada, disse ele, tende a prolongar a "operação militar especial" — termo oficial do Kremlin para a guerra.
A aposta de Trump

Do outro lado, a leitura é inversa. Falando na cúpula da OTAN, em Ancara, Trump reconheceu que os ataques ucranianos profundos representam uma escalada, mas apostou que ela pode ajudar a encerrar o conflito.
"É uma escalada, mas é também uma escalada que pode ajudar a levar a um fim." — Donald Trump
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou o argumento, afirmando que os russos "estão tendo cada vez mais dificuldade para defender seu espaço aéreo". Segundo ele, isso poderia criar as condições necessárias para negociar o fim da guerra.
Patriot e o "fechamento do céu"
Na mesma cúpula, Trump foi além do discurso. Ele anunciou que permitirá à Ucrânia fabricar mísseis Patriot sob licença — embora a produção real deva levar anos — e sugeriu a possibilidade de "fechar o céu" ucraniano como parte de futuras garantias de segurança.
Peskov reagiu com firmeza. Para o Kremlin, uma zona de exclusão aérea implicaria atividade militar direta dos países da OTAN sobre a Ucrânia — exatamente o que, segundo Moscou, a ofensiva russa busca impedir.
A campanha ucraniana de drones
O pano de fundo dessa disputa é a intensa campanha de ataques que a Ucrânia multiplicou nos últimos meses. Os alvos preferenciais têm sido refinarias, depósitos de petróleo e cargas de hidrocarbonetos no mar.
A estratégia já cobra seu preço: a campanha provocou escassez de combustível em várias regiões russas, transferindo o peso da guerra para a retaguarda do país. É esse sucesso que Washington enxerga como alavanca — e que Moscou tenta minimizar.
Os números apresentados por Moscou
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que o país sofreu 38 mortes de civis na semana passada, incluindo uma criança, além de 270 feridos. Ela não divulgou locais nem datas específicas, em declarações à agência estatal TASS.
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Como esses dados vêm de uma das partes do conflito, devem ser lidos com cautela e não puderam ser verificados de forma independente.
Uma mediação em compasso de espera
Apesar das divergências, o Kremlin ainda vê em Washington a "vontade" de contribuir para um processo de paz. Peskov reconheceu uma dualidade na posição americana: os EUA seguem enviando armas a Kiev, mas, diferentemente dos europeus, mantêm o desejo de mediar — algo que, para Moscou, parece sincero.
Os esforços de Trump para encerrar a guerra ficaram praticamente suspensos desde que o conflito com o Irã estourou, em fevereiro. O Kremlin diz esperar que a mediação americana seja retomada assim que a crise no Oriente Médio for resolvida. Até lá, cada lado segue apostando que o tempo — e a pressão — joga a seu favor.
Fontes: Reuters, Xinhua, Ukrainska Pravda, TASS e Antiwar.com.