Pentágono pedirá US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra contra o Irã

Por Cenas de Combate

Pentágono deve pedir US$ 80 bilhões ao Congresso para cobrir custos da guerra contra o Irã e outras operações militares dos EUA.

Pentágono pedirá US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra contra o Irã

O Pentágono deve pedir ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação de cerca de US$ 80 bilhões em recursos adicionais para cobrir custos ligados à guerra contra o Irã e outras despesas militares, segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal.

O pedido surge após meses de operações no Oriente Médio e em meio a alertas internos de que as Forças Armadas americanas podem enfrentar restrições orçamentárias ainda no verão, caso um novo pacote de financiamento não seja aprovado.

A nova solicitação mostra que o custo da guerra contra o Irã pode ser muito maior do que as estimativas iniciais apresentadas pelo Pentágono ao Congresso.

Pedido foi discutido com parlamentares

De acordo com o jornal, o vice-secretário de Defesa, Stephen Feinberg, tratou do tema em conversas com parlamentares nesta semana.

A avaliação apresentada aos congressistas é que o Departamento de Defesa precisa de recursos extras para manter operações, cobrir gastos com munições, compensar pessoal militar e sustentar missões navais.

Autoridades do Pentágono teriam alertado que, sem uma nova lei de financiamento, os serviços militares poderão ser obrigados a reduzir exercícios de treinamento e outras prioridades.

O ponto central é que a guerra no Irã não estava prevista no orçamento regular do Pentágono, o que pressiona contas de operação, manutenção e prontidão militar.

Custo estimado subiu desde maio

Em maio, o Pentágono havia estimado que a guerra contra o Irã custaria cerca de US$ 29 bilhões. Parlamentares democratas, porém, questionaram se esse número refletia o custo real do conflito.

Agora, o valor discutido é muito maior. Embora os US$ 80 bilhões não sejam exclusivamente para a guerra no Irã, a campanha militar aparece como o principal fator de pressão sobre o orçamento.

Segundo a imprensa americana, parte do pacote também pode cobrir outras despesas militares e compromissos não diretamente ligados ao conflito.

A diferença entre a estimativa inicial e a nova necessidade de financiamento aumentou a pressão por mais transparência sobre os custos reais da guerra.

Munições e prontidão militar entram no debate

Outro ponto sensível envolve o consumo de munições durante a campanha contra o Irã.

Nos últimos meses, parlamentares e analistas expressaram preocupação com o uso intenso de armamentos de precisão e interceptadores, além do impacto disso nos estoques americanos.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, rejeitou a ideia de que os Estados Unidos enfrentem uma crise de munições. Em entrevista recente, ele classificou essa leitura como uma “história fabricada” e afirmou que os estoques americanos estão se fortalecendo.

Mesmo assim, o tema continua no centro do debate porque guerras prolongadas exigem reposição rápida de armamentos, manutenção de navios, pagamento de tropas e preservação da capacidade de resposta em outras regiões.

Outras operações também pesam na conta

Além da guerra contra o Irã, os Estados Unidos vêm acumulando custos militares em outras frentes.

O país conduziu uma operação complexa na Venezuela para capturar Nicolás Maduro e também mantém, desde setembro, ataques contra embarcações suspeitas de ligação com o tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico.

Essas operações ampliam a pressão sobre o orçamento do Departamento de Defesa em um momento no qual a administração Trump também defende um orçamento militar anual de cerca de US$ 1,5 trilhão.

Para o Pentágono, o novo pacote serviria para evitar que gastos emergenciais prejudiquem treinamento, manutenção e prontidão das forças americanas.

Congresso pode impor resistência

A aprovação dos US$ 80 bilhões, porém, não está garantida.

Alguns membros do Congresso já indicaram resistência ao financiamento adicional, especialmente porque a administração Trump não buscou uma autorização formal de guerra contra o Irã.

Democratas argumentam que financiar uma guerra sem autorização clara do Congresso levanta dúvidas legais e constitucionais. Republicanos mais preocupados com gastos também podem pressionar por cortes, condições ou maior detalhamento do pedido.

O governo, por outro lado, deve defender que os recursos são necessários para manter as operações, proteger tropas e evitar perda de prontidão militar.

O que está em jogo agora

O pedido de US$ 80 bilhões coloca o custo da guerra contra o Irã no centro da disputa política em Washington.

Para o Pentágono, a prioridade é garantir recursos para sustentar operações, repor munições e evitar cortes em treinamento. Para críticos no Congresso, o debate envolve transparência, autorização legal e controle sobre o uso da força militar.

A discussão deve ganhar força nas próximas semanas, especialmente se o pacote for formalmente enviado ao Congresso como parte de uma solicitação suplementar mais ampla.

Mesmo com o memorando entre Estados Unidos e Irã abrindo caminho para uma fase de implementação diplomática, a conta militar da guerra continua em aberto — e pode se tornar uma das maiores disputas orçamentárias do governo Trump neste ano.

Fonte: Wall Street Journal, Reuters, Defense One e CBS News.

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